Colunistas

TEMPO DE CONVERSÃO

23/03/2007

Conego Eloy Pupin

Estamos vivendo um tempo propício para a conversão, como sempre acontece em toda a Quaresma. As paróquias de Batatais preparam os fiéis proporcionando-lhes as confissões que são oportunidades para colocarmos nossas vidas em dia com Deus e com o próximo.
No 1º dia da Quaresma iniciamos com a imposição das cinzas na 4ª feira e lembro-me de que naquela homilia, eu falava do início de nossa preparação para celebração do Tríduo Pascal. Não podemos celebrar este Tríduo como uma mera tradição, mas ele deve ser a expressão de um compromisso sério para a nossa conversão pessoal e comunitária.
O tema da conversão é muito antigo, já no Antigo Testamento acentuava muito este assunto quando falava da necessidade de rejeitar o culto pagão, para adorar o verdadeiro Deus. Em resumo, para eles, a conversão era abandonar a idolatria e cumprir o que determinava a Aliança feita no Monte Sinai.
Mais tarde os Profetas insistiram na compaixão para com os pobres, órfãos, viúvas e demais desvalidos. Podemos aqui recordar de um dos últimos Profetas, João Batista que insistia na mudança de atitude, na prática da justiça, da solidariedade, da compaixão como necessárias para acolher o Messias.
Jesus inicia sua vida pública com um forte apelo: “convertei-vos e crede na Boa Nova...” Esta é a voz do Senhor que se repete na 4ª feira de cinzas quando derramamos cinzas em nossas cabeças:”convertei-vos e crede no Evangelho.” Justamente no 4º Domingo da Quaresma, ouvimos no Evangelho a parábola do filho pródigo, onde encontramos o mais significativo modelo de conversão: é abandonar os falsos deuses que insistem em dominar o nosso coração e ir ao encontro do Deus verdadeiro. É nesse sentido que Jesus ao ser procurado por Nicodemos, disse-lhe que era necessário nascer de novo para ver o Reino de Deus.
Essa é a grande maravilha que Deus quer operar em nossa vida: nascer de novo.
Voltando ao caso do filho pródigo, nos comovemos quando vemo-lo abraçado ao Pai, chorando arrependido e dizendo: “Pai, pequei contra Ti.” Essa deve ser também a nossa atitude corajosa e arrependida nesta Quaresma. Através da confissão de nossos pecados, nos lançarmos nos braços do Pai que não vemos e através dos irmãos que vemos, bater à nossa porta com fome, frio, cansaço, doença, solidão e desespero; colocarmos em prática o nosso arrependimento. Somente quem nasceu de novo será capaz de sentir compaixão e ver nos rostos deformados pela miséria, a mesma face de Jesus.
Que os exercícios da Quaresma como o jejum, a abstinência, a esmola e a paciência entre nós, nos ajudem a nascer de novo. É essa a graça que devemos desejar para celebrarmos o Tríduo Pascal.

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