Na história da humanidade existiram, infelizmente, vários tipos de perseguição contra as distintas atitudes e opções feitas por pessoas ou grupos. Perseguições motivadas por questões políticas, econômicas, culturais, intelectuais, religiosas etc. O Cristianismo, que surgiu há 2000 mil anos também foi perseguido pelos líderes políticos e religiosos judaicos e pelo império romano que vivia no auge na época de Jesus.A partir do imperador Nero, que incendiou bairros pobres de Roma ara construir a Nerópole, cidade de Nero, no ano 64, e colocou a culpa nos cristãos, seguiram-se mais de 250 anos de perseguição contra os cristãos. As perseguições foram proibidas no ano 311 dC quando, os imperadores Constantino, Licínio e Galério publicaram o Edito de Tolerância, seguido pelo Edito de Milão, do ano 313, que concedia a liberdade de culto ao Cristianismo. Cálculos distintos falam do martírio (testemunho com a vida) de 100 mil a 1 milhão de cristãos nos três primeiros séculos do Cristianismo. E porque os cristãos foram perseguidos nos três primeiros séculos de sua existência???? Por vários motivos:1- Os cristãos não aceitavam adorar os imperadores romanos como divindades, pois adoram somente ao Deus revelado em Jesus Cristo. Isso significava, segundo os padrões da época, opor-se ao imperador sob acusação de rebeldia.2- Os cristãos pregavam valores contrários aos da época: criticavam a escravidão (em torno da 70% da população do império era escrava), exposição (assassinato ou abandono de crianças não desejadas), divórcio, jogos violentos (gladiadores e combates), guerras, imoralidades e mundanização do império etc.3- Os cristãos eram acusados de ateus, pois sendo monoteístas não participavam dos cultos imperiais, próprios de uma sociedade politeísta e de muito sincretismo religioso.Na Idade Média o Cristianismo se expandiu muito e se tornou o centro da vida ocidental na sociedade de Cristandade, eclesiocêntrica e teocêntrica. Neste período de muitas luzes houve também muitos erros: Inquisição, Cruzadas e tentativa de imposição do pensamento cristão. Na Idade Moderna, com o advento do humanismo e racionalismo, a sociedade medieval entrou em crise e surgiu um processo de perseguição religiosa e negação das verdades divinas reveladas. Este processo dura até hoje e não só o Cristianismo, mas muitos sistemas religiosos ou são perseguidos ou são perseguidores. Na Pós-Modernidade, que prega a tolerância e as liberdades individuais, algumas religiões são perseguidas e intoleradas. Nos dias atuais, “os cristãos se tornaram o grupo religioso mais perseguido no mundo, segundo denunciou a Santa Sé na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Porta-voz da denúncia foi o bispo Mario Toso, secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz, quem esteve à frente da delegação da Santa Sé durante a conferência sobre a tolerância e a não-discriminação, organizada pela OSCE entre os dias 29 e 30 de junho. O texto foi divulgado pela edição italiana do L'Osservatore Romano de 7 de julho. Esta conferência da OSCE - organização conformada atualmente por 56 Estados participantes, todos eles da Europa, Ásia Central e América do Norte (Canadá e Estados Unidos) – prestou particular atenção à discriminação contra os cristãos e membros de outras religiões... Com o crescimento da intolerância religiosa no mundo, está amplamente documentado que os cristãos são o grupo religioso mais discriminado. Mais de 200 milhões deles, pertencentes a confissões diferentes, encontram-se em situações de dificuldade por causa das instituições e dos contextos legais e culturais que os discriminam. (cf: zenit.org, 6//2010)Em alguns países existem leis intolerantes e discriminatórias contra pessoas que acreditam em Deus e há episódios repetidos de violência, inclusive assassinatos de cristãos, como os que tem ocorrido na Índia, Sudão, China, África, América Latina etc. Por outro lado, seguem restrições contra a liberdade de opinião e de adesão a uma confissão e à respectiva comunidade religiosa, assim como contra a importação e distribuição de material religioso. Existe ainda, ilegítimas interferências em sua autonomia organizativa, com pressões sobre as pessoas que trabalham na administração pública, obstaculizando sua liberdade de expressão segundo sua consciência.Por este motivo, sublinhou o prelado, "a Santa Sé está convencida de que a comunidade internacional deveria lutar contra a intolerância e a discriminação dos cristãos com a mesma determinação com que luta ou lutaria contra o ódio a todas as comunidades religiosas. Por outro lado, sublinhou, "os meios de comunicação tampouco ficam isentos de atitudes de intolerância e, em alguns casos, de preconceito com relação aos cristãos e crentes em geral... Um autêntico pluralismo nos meios de comunicação exige uma correta informação sobre as diferentes realidades religiosas, assim como a liberdade de acesso aos meios para as próprias comunidades religiosas." (cf: zenit.org, 6//2010)Atualmente, o Cristianismo também tem seus pecados, suas sombras e dificuldades para dialogar com a sociedade, que muitas vezes opta por antivalores perigosos e ambíguos, em nome da liberdade e da autonomia pessoal e social e aí está um dos motivos atuais de perseguição contra o Cristianismo. Ao não aceitar e denunciar os atentados contra a dignidade e os direitos humanos e o respeito à vida em sua integralidade, o Cristianismo compra briga com segmentos contrários fortes e influentes. Daí decorrem as críticas e perseguições, muitas vezes infundadas, contra a Igreja Católica e outras igreja cristãs, que não obstante as fragilidades e os pecados humanos , continuam acreditando no Evangelho e no testemunho de Jesus. Nesse contexto, o martírio, perseguição e incompreensões, serão testemunhos da fidelidade ao Cristo crucificado e sinal de um Cristianismo comprometido com os direitos humanos e com a vida plena, no amor, na caridade e na verdade.Pe. Ronaldo Mazula, cmf