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CACHAÇA

27/01/2012

Covas Junior

Conheci pessoalmente a Carmen Costa na quadra da Escola de Samba Mocidade Alegre, na Av. Casa Verde, 3.498, Bairro do Limão, na Zona Norte da cidade de São Paulo. Era madrugada de um domingo e Carmen estava sendo homenageada pela grande entidade do samba paulistano, numa roda de partido alto inesquecível. No final da noitada, o mestre Juarez da Cruz, fundador e patrono da Mocidade, pediu- me que eu desse uma carona para a grande sambista, que morava na Rua Albuquerque Lins, nos Campos Elíseos, em cujo percurso nasceu uma amizade que durou até que Carmen resolveu retornar ao Rio, onde terminou seus dias.Carmen Costa foi o tipo de artista que se revelou, não só pelo talento próprio, evidentemente, como, também, pela sorte porque, a notável cantora teve o privilégio de trabalhar, como empregada doméstica, para um patrão que era, nada mais, nada menos, do que Francisco Alves, o eterno Rei da Voz, que morava em uma mansão no privilegiado bairro do Jardim Botânico. Aconteceu que, certa manhã, o velho Chico chegou em casa, depois de uma gravação e encontrou Carmen cantando – enquanto espanava as Louças – o samba do Henricão, Tá chegando a hora. Chico ouviu aquilo e ficou deslumbrado com o talento de sua empregada. Tanto é que, numa festa que daria naquela mesma semana em sua casa, fez com que ela cantasse para os amigos presentes, entre os quais, a eterna Pequena Notável, Carmen Miranda. Estava selada a sorte de Carmen Costa que, logo em seguida, gravou aquele que seria o primeiro grande sucesso de sua via, o próprio samba do paulistano Henricão, que, por consequência, seria o maior amor de sua vida, em um longo relacionamento que durou até quando ela embarcou em outra canoa, transferindo-se para os Estados Unidos, onde morou longos anos com um americano. Está chegando a hora, ou, Tá chegando a hora – como queiram – é uma simples versão da valsinha mexicana Cielito Lindo que ficou muito bem colocada como um samba que se tornou tradicional nas despedidas das frenéticas e tão saudosas madrugadas daqueles tempos inesquecíveis. Porém, até hoje é possível ouvir os versos tão cantados e decantados... Quem parte Leva saudadeDe alguém que ficaChorando de dorPor isso não quero lembrarQuando partiuMeu grande amor Ai, ai, ai, aiTá chegando a horaO dia já vem raiando meu bemEu tenho que ir embora No começo dos anos 50, Carmen Costa chutou o americano com quem vivia e voltou para o Rio, quando se apegou ao grande compositor Mirabeau, com quem viveu cinco anos. E foi nessa época que gravou uma Marchinha carnavalesca que até hoje é lembrada pelos saudosistas, pelo sucesso que fez. E, como venho dedicando este espaço aos temas carnavalescos, vamos, portanto, relembrar e cantar... Cachaça Você pensa que cachaça é águaCachaça não é água nãoCachaça vem do alambiqueE água vem do ribeirão (bis) Pode me falta tudo na vidaArroz, feijão e pãoPode me faltar manteigaE tudo mais não faz falta nãoPode me faltar amorIssso até eu acho graçaSó não quero que me falteA danada da cachaça  Covas Júnioo - jornalista

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