A Semana Santa está se aproximando, mas antes, temos a Semana da Paixão que se iniciou no domingo antes de Ramos, ou seja, dia 25 p.p. Em nossa Paróquia, a celebração da Semana Santa terá início com a bênção dos Ramos, no p. domingo, às 09h00min horas, na Capela de Santo Antonio. Em seguida, em procissão, viremos para a Matriz do Bom Jesus, onde haverá a celebração da Santa Missa.
Várias são as celebrações que faremos nesses dias da Semana Santa, mas chama-se muito à minha atenção e aumenta a minha alegria com as celebrações da 5ª feira Santa por estarem ligadas intimamente ao sacerdócio que Jesus Cristo instituiu. Naquele dia, logo cedo, às 09h00min horas, estaremos reunidos na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto para a celebração eucarística junto ao nosso Arcebispo, quando renovaremos nossa obediência feita no dia de nossa ordenação. Esse dia é conhecido como o “dia do sacerdócio, porque não há Eucaristia sem o Sacerdócio e não há Sacerdócio senão que esteja voltado para a Eucaristia”. Depois à noite, celebraremos a missa da Ceia do Senhor e dentro dessa celebração recordamos a lição de humildade e de serviço que Jesus quis nos passar. É o lava-pés.
Sempre que celebro a Eucaristia, lembro-me de um grande sacerdote Jesuíta, Pe. Pierre Teilhard de Chardin que também era cientista e que tão bem penetrou no mistério da Eucaristia por meio da ciência e da fé. Realmente Teologia, Filosofia e Ciência são distintas, mas não são separadas.
A Eucaristia de nossos altares tem a data do cosmos. Quando tomamos conhecimento da teoria da explosão e expansão do universo, podemos afirmar que deu-se a primeira e solene missa cósmica. Lá se forjou a matéria-energia que até hoje se expande em bilhões de galáxias. Trilhões de anos de viagem na velocidade da luz para percorrer suas distâncias.
Essa matéria-energia converge para o pão e o vinho colocados sobre o altar. Lá está ela visível na pequenez branca do trigo e no suco vermelho da uva. Assim, Jesus na ceia, ao tomar o pão e o vinho em suas mãos, abraçava esses bilhões de anos de evolução e chamava-os de seu corpo e de seu sangue.
Cada cristão que celebra a Eucaristia entra em comunhão com todas as energias da criação. É a dimensão ecológica da Eucaristia. Elevando esse rito ao nível humano, realiza-o na forma do convívio, da comida e da bebida. É uma ceia em que pessoas comungam de um mesmo pão e mesmo cálice.
Certa vez, o pe. Teilharal, nas estepes da Ásia, não tendo nem pão, nem vinho, nem altar, elevou-se para além desses símbolos e ofereceu como sacerdote, sobre o altar da terra inteira, o trabalho e as dores do mundo. Colocou sobre a patena a messe esperada de todo o novo esforço e derramou no cálice, a seiva de todos os frutos que serão, durante o dia, triturados.
O cálice e a patena são as profundezas de uma alma largamente aberta a todas as forças e energias que, num instante, vão levantar-se de todos os pontos do globo e convergir para o espírito. E assim, continuou ele, a sua “missa sobre o mundo”.