Colunistas

Papa, Eucaristia e Matrimônio

30/03/2007

Padre Ronaldo Mazula

Nas últimas semanas as mídias católica e mundial divulgaram aspectos da exortação pós-sinodal ‘Sacramentum caritatis’, que pode ser traduzida como ‘sacramento do amor’, do Papa Bento XVI. Ela foi escrita após o sínodo da Eucaristia, realizado de 2 a 23/10/2006, em Roma, com o tema “A Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da Igreja”. Como afirma Dom Odilo Scherer, Secretário Geral da CNBB e arcebispo de São Paulo, “O Papa não foge à tradição das Exortações Apostólicas anteriores, recolhendo as propostas dos padres sinodais e fazendo-as suas. Mas também relaciona as reflexões do Sínodo com os eventos que marcaram a Igreja Católica nos anos apenas passados, como o Grande Jubileu do ano 2000, o Congresso Eucarístico Internacional de Guadalajara, a Carta Apostólica Mane nobiscum Domine e a Encíclica Ecclesia de Eucharistia.” (cf. newsletter@catolicanet.com.br, 20/3/2006)

No Catolicismo, há muitos modos de se participar da vida eclesial: os sacramentos, os sacramentais, as bênçãos, as atividades paroquiais e pastorais, as aulas e momentos de formação, as obras de caridade e promoção humana, as lutas pela justiça e integridade da criação, as festas, os vários movimentos, etc. E todas essas ações, têm o seu corolário na celebração comunitária da EUCARISTIA, memorial do sacrifício de Cristo, que se entrega a todos os que n’Ele têm fé e se propõem a segui-l’O com fidelidade e perseverança. A comunhão com o Cristo eucarístico é reflexo da comunhão com seus ensinamentos e com a Igreja, fiel depositária da doutrina cristã. E continuando a citação de Dom Odilo, “é por isso que toda vida do cristão pode e deve gravitar em torno da Eucaristia... Por aí também compreendemos o motivo pelo qual o Papa relaciona com a Eucaristia os diversos estados de vida (casamento, sacerdócio, vida consagrada, o trabalho, a saúde e a doença) e as diversas maneiras de atuar a vida cristã em todos os âmbitos do mundo”.

Todos os católicos precisam estar em comunhão com Cristo e seus ensinamentos para participar da Eucaristia. É em torno desta questão que surgiu a discussão e crítica ao Papa Bento XVI e à Igreja, quando ele afirma que aqueles e aquelas que estão em pecado, não sendo ‘agradáveis a Deus’, não devem comungar, seja sacerdote, religioso, religiosa, leigo ou leiga.

E quando o Papa fala do sacramento do matrimônio, ele o coloca também como uma opção de vida eclesial que deve ser assumida com consciência e fidelidade aos ensinamentos de Cristo no Evangelho e da Igreja! O que o Papa falou sobre a restrição da comunhão para divorciados e casados em segunda ou terceira núpcias, não é novidade: ele é fiel à tradição e direito eclesiais!

Por outro lado, como afirmou Dom João Bosco Oliver de Faria, Bispo de Patos de Minas, houve uma falha de tradução do texto italiano para o português quando o Papa falou do divórcio, como uma CHAGA e não como uma PRAGA. A Igreja respeita os divorciados e deseja que eles possam ser felizes, mesmo após um casamento que não deu certo! Há correntes no Cristianismo que propõem a liberdade de consciência do fiel, que vive a situação de um segundo matrimônio, em optar ou não pela comunhão eucarística. Há também os que defendem a necessidade de se perdoar os pecadores e oferecer misericórdia a todos, como fez e defendeu o próprio Cristo.
O Papa, falando em nome da Igreja, assume o ônus de valorizar a norma evangélica e eclesial e fala dos outros meios de comunhão com a Igreja. Ele valoriza a família e a integridade da relação matrimonial que hoje são ameaçadas por uma sociedade que não prioriza os compromissos duradouros e que exigem sacrifício e austeridade. Onde se compra e descarta tudo, inclusive a VIDA de nascituros, de pobres e miseráveis, o matrimônio, torna-se deteriorado e descartável.

Oxalá tivéssemos mais lideranças mundiais que se colocassem a serviço da família, do matrimônio sério e respeitável, do amor e da verdade, assumindo as críticas inerentes a esta opção. Por outro lado, é preciso também reforçar o trabalho de acolhida de todos na Igreja e na sociedade, em geral, pois o Cristo perdoou a todos, como também convidou todos a não continuar pecando: “mulher, eu também não te condeno, vá e não tornes a pecar”. (Jo 8,11).

Fiquem com Deus!

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