Colunistas

As eleições vem aí

08/10/2007

Conego Eloy Pupin

No próximo ano, teremos eleições que decidirão o futuro dos nossos municípios, onde nascemos, vivemos e nos realizamos. Sinto desde já a necessidade de refletir com os meus leitores sobre o ensino de Jesus e o projeto político dos cristãos. Esse é um tema que durante esse tempo, vou tratar sempre com maior freqüência, mesmo porque faz parte integrante de minha missão como evangelizador. E ainda mais, quando percebo que muitos católicos estão mergulhados em partidos de esquerda, outros de direita, quando na verdade esses partidos querem tirar vantagem, pois o verdadeiro partido deve estar no meio “virtus in médio”. Já foi exercida tanto por partidos da direita quanto por partido de esquerda e nas duas correntes notamos falhas, porque está faltando um estadista. Eis a grande diferença; o estadista governa para o povo, enquanto os partidos governam, voltados para os interesses dos próprios partidos. É daí que surgem os conchavos políticos, as barganhas, as volumosas verbas para fortalecer os próprios partidos, sem contar que essas verbas são os nossos impostos que deveriam ir para a educação, saúde, empregos e desenvolvimento, etc.

Quando falamos sobre a mensagem social do Evangelho, Jesus ensina, definindo as competências de “dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus”, proclamando “bem-aventurado os que sentem fome e sede de justiça”, anunciando “a bem-aventurança da pobreza”, rompendo com todas as discriminações do seu tempo, chamando atenção das pessoas insensíveis às angústias dos que nada possuíam, percebemos que há um bom número de candidatos políticos que se deixam orientar pelos ensinamentos do Evangelho. É nesta hora que precisamos prestar atenção para saber escolher bem em quem vamos dar o nosso voto. Percebo o porque os meus artigos sempre interessam os leitores, quando principalmente o assunto é política.

Não resta dúvida que Jesus veio realizar um projeto salvífico, de redenção do pecado e salvação para todos os homens. Não como um Mesias político, mais interessado em libertação, em casa e terra, segurança econômica e emprego, ou seja, bem-estar temporal. Entretanto, no projeto salvífico de Jesus está claramente unido o projeto político de um novo homem e uma nova sociedade. Ele veio para nos “dar a vida em abundancia”, proclamando a salvação e os valores do reino, redimindo-nos na tragédia da cruz. Cristo acabou realizando a maior de todas as revoluções de que se tem conhecimento na história humana. Uma revolução pacífica, fundada no amor, no respeito às pessoas, na justiça e na paz. As virtudes que Jesus impôs nessa revolução, privilegia a pessoa e não o Estado ou o lucro, o bem comum e não o individual, a destinação universal dos bens da criação e não os privilégios de poucos, a família e a vida e não a cultura da morte, o uso social da propriedade, uma reforma profunda na política e nas estruturas sociais pecaminosas, evitando as ditaduras de esquerda ou de direita.

Ficarei feliz se meus artigos puderem contribuir com os futuros candidatos das próximas eleições, lendo também as encíclicas sociais dos Papas e outros livros de grandes pensadores, para que surja uma política capaz de transformar a sociedade, tornando-a mais justa e fraterna, sem competição, nem discriminação.

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