Sinto a necessidade de esclarecer os meus leitores sobre o meu posicionamento político porque, quase sempre sou entrevistado sobre este problema. Desde que iniciei o meu ministério sacerdotal em 1974, até hoje, estou envolvido na política, porque sempre entendi que o homem precisa ser evangelizado no todo, também na política. Não se trata apenas do meu jeito de ser, mas da convicção de que não há pior analfabeto que o analfabeto político, alheio aos problemas de sua cidade, do seu País e do mundo. Nem sempre fui compreendido e muitas vezes chamado por vários apelidos. Lembro-me de um rico usineiro de Sertãozinho que me apelidou de melancia, por ser verde por fora, uma vez que sempre fui palmeirense e vermelho por dentro porque, segundo ele, eu era comunista. Uns ousam me apontar como de esquerda, outros como de direita. Devem desconhecer o meu longo passado.
Como padre há 28 anos nesta Paróquia, sempre incentivei a pastoral social, dando um efetivo apoio aos bons políticos e a todos os leigos vicentinos que se dedicam à assistência aos pobres, inclusive repartindo com eles o lucro da quermesse de Santo Antonio, todos os anos.
Essas informações poderiam deixar alguém com a impressão de que sou um homem de esquerda. Na realidade, considero-me um homem de centro, pois desaprovo todo e qualquer posicionamento extremado como lutas de classe, revolucionários, subversivos, terroristas e de guerrilhas empolgados por ditadura, etc.
Sei fazer a distinção entre os partidos de esquerda e de direita, chegando até a ser convidado a fazer parte de alguns deles, mas nunca aceitei por entender que o padre deve ser para todos e não para os partidos.
Assim sendo, tenho plena autonomia como padre para ir mais a fundo sobre qualquer problema, também com relação à política e gostaria que me tivessem acima de tudo como padre desta Paróquia do Senhor Bom Jesus que muito amo e que venho servindo desde 1979, nomeado por Dom José Bernardo Mieli. Optei, consciente e livremente, pelo “partido de Cristo”, por sua mensagem divina e por seu projeto salvífico, mas também pelo projeto político do evangelho, da pessoa, da família, da vida, do amor e da justiça. Somente por Cristo e por esses ideais, estou disposto a continuar lutando enquanto Deus me permitir. Sei que meu tempo está quase terminando e como todos nós, temos a hora de chegar e a hora de partir, não posso fugir a essa regra. Quanto a minha ida para Ribeirão Preto, não decidi ainda, pois é preciso analisar bem e onde eu mais possa sentir-me bem. Dom Joviano é um homem do diálogo e sabe nos respeitar.