No dia 16 de outubro comemorou-se o Dia Mundial da Alimentação, pois neste dia, em 1945, foi criada a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), para ajudar a reconstruir o mundo destruído pela II Guerra.
Segundo a agência de notícias Adital, em artigo do dia 11.10.07, calcula-se que a fome atinge 854 milhões de pessoas em todo o mundo. “Em informe apresentado à Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU), o relator especial sobre o direito à alimentação, Jean Ziegler, demonstrou sua profunda preocupação com o fato de os níveis mundiais da fome seguirem aumentando. Ao contrário do que projeta os Objetivos do Milênio - que é reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome -, o gráfico da fome tem apresentado uma curva ascendente desde 2006. Mais de seis milhões de crianças menores de 5 anos morrem todos os anos de fome, ou de causas relacionadas a ela. Milhares de outras crianças seguem vivendo sem alimentação suficiente todos os dias, sem macro e micronutrientes, condenados a um desenvolvimento intelectual limitado e um atraso do crescimento físico. O compromisso assumido pelos governos, em 1996 e em 2000, nas Cúpulas de Alimentação do Milênio de fazer esforços para alcançar progressos, praticamente não teve resultados. Para o relator, "isto é inaceitável, pois os seres humanos têm direito a viver dignamente sem padecer de fome. O direito a uma alimentação adequada é um direito humano.””
Na América Latina e Caribe, dos 510 milhões, “quase 175 milhões (36% do total) vivem em condições de pobreza. Na atualidade, 15% da população vivem na pobreza extrema (75 milhões aproximadamente). 58% de todos os pobres vivem em áreas urbanas. 53% da população rural são pobres, e 50% dos extremamente pobres vivem em áreas rurais.” Em 1990 na América Latina e Caribe existiam 200,2 milhões de pobres (48,3% da população) e 93,4 milhões de indigentes (22,5%). Já em 2003 os pobres aumentaram para 226,6 milhões (44,4 da população) e os indigentes para 102 milhões (20%). (cf. CELAM. América Latina: Sociedade em Mudança. SP: Paulus/Paulinas, 2005. p. 46-47).
E o BRASIL? “A sociedade brasileira é uma das mais desiguais do mundo. Nas últimas décadas, a renda do 1% mais rico se manteve igual à dos 50% mais pobres. Tal desigualdade, aos olhos do cristão, é um escândalo e, ao mesmo tempo, um desafio, diante do qual não basta protestar ou lamentar, mas e preciso redobrar com lucidez e perseverança o empenho na construção de uma sociedade mais justa e solidária.” (cf.: CNBB. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2003-2006, pp.93-94). Calcula-se que no Brasil temos em torno de 54 milhões de pobres (33% da população) e 23 milhões de indigentes (14% da população).
Segundo atuais, do governo, afirma-se que “a queda da desnutrição caiu de 18,5 milhões de pessoas para 13,1, ou seja, de 12% a 7%...” Porém, percebemos que a pobreza assola a vida de milhões de brasileiros, sem vez e sem voz. No próximo artigo, tentaremos refletir sobre propostas de mudança, pois a “existência de milhões de empobrecidos é a negação radical da ordem democrática.”