Colunistas

Para onde vai a Família?

29/10/2007

Conego Eloy Pupin

Neste final de semana tivemos a realização de mais um encontro de casais com Cristo. Eram vinte e um novos casais que, pela primeira vez faziam a experiência e renovavam suas esperanças de colocar nas mãos de Deus com muita confiança a vontade de vencerem as dificuldades. Conversando com alguns casais percebi que a grande preocupação dos pais são os filhos. Como conciliar a fé e a vida dos jovens de hoje? Como será o futuro do país e da Igreja no Brasil? Aumenta-se essa preocupação quando somamos a desagregação da família. Tudo isso tem explicação quando iniciamos os preparativos para o 3º milênio, começaram com a legalização do aborto nos casos de gestação resultante de violência sexual e de grave risco de vida para a mulher; o segundo foi à instituição do divórcio; o terceiro, a depreciação do próprio casamento; e o quarto, a aprovação do Estatuto do Concubinato. Conforme dizem as estatísticas, só no Brasil ocorrem anualmente um milhão e 500 mil abortos voluntários. É lamentável quando sabemos que tantas vidas são ceifadas em seu nascedouro, no templo materno que Deus lhes preparou. Não basta dizer que a mulher tem direito ao próprio corpo. O embrião que inicia a sua existência, fruto do amor ou da paixão, é um outro ser, com todos os direitos que lhe confere a concepção. Este ser em desenvolvimento certamente não é agressor de ninguém, pois encontra-se no lugar em que tem direito de estar, sendo completamente inocente.

Grave também para a família foi a implantação do divórcio, cuja campanha iniciou-se em 1950 com o então deputado Nelson Carneiro. Enquanto Monsenhor Arruda Câmara pode combater ele o fez, mas quando chegou o Presidente Ernesto Geisel, primeiro Presidente evangélico, foi aprovado. Daí vieram as conseqüências: desvalorização do casamento, a irresponsabilidade dos jovens em sua opção matrimonial e o grande número de família que se desfazem logo nos primeiros anos de união conjugal. Atualmente, todo brasileiro pode agora casar-se e descasar-se quantas vezes desejar. Hoje temos as conseqüências... milhares de jovens passaram a brincar com o amor. Deixando de lado tanto o casamento civil quanto o religioso, preferiram unir-se à margem da lei, sem as formalidades de cartório e sem as bênçãos de Deus. Uma estatística de 1977, desfizeram-se só naquele ano quatro milhões de famílias. São milhões de homens e mulheres que passaram às segundas núpcias, deixando os filhos do primeiro casamento órfãos de pais vivos.

Sempre que nos reunimos para a revisão pastoral, tanto eu como os demais párocos constatamos que os casamentos vem diminuindo a cada ano, o que prova viver em concubinato e o número de brasileiros diminuindo cada vez mais. Afinal, por que casar-se, assumindo compromisso sério, se mais adiante poderão descasar-se? Por que gerar filhos se eles poderão ser um estorvo no dia de amanhã diante da possibilidade de um divorcio? Perde sentido o casamento quando se pensa que o Estatuto do Concubinato coloca em pé de igualdade o esposo, a esposa e o concubinos.

Destruíram os sagrados valores da tradicional família, agredidos por essa descristianizada legislação, acrescidos com os nefastos programas de Televisão e com suas imorais novelas.

É necessário levantar à voz para dizer que o casamento é uma instituição não apenas natural, mas divina, que o amor é sagrado, que a família é o esteio da sociedade. Diante desse impasse, pergunto: qual será o futuro do Brasil e da Igreja? Já estamos presenciando a guerra interna do tráfico de drogas, das famílias desajustadas das grandes cidades, das mortes de jovens com os policiais, etc.

Será que precisamos nos escandalizar do que acontece no Iraque, se aqui está pior?

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