Com a celebração litúrgica do Domingo de Ramos, entramos na Semana Santa.
Muitos cristãos preferem centralizar suas atenções na Sexta-feira da Paixão, acompanhando a celebração da paixão e morte do Senhor Jesus. Para aqueles que só ficam na Sexta-feira, mas não conseguem alcançar todo o desenrolar da vida de Jesus, não conseguiu ver a vitória da Ressurreição. No dizer de São Paulo, para estes, não só Jesus parece um fracassado, mas também eles, porque, se Cristo é um bem para nós só para este mundo, então nós somos os mais miseráveis. Mas eis que Ele ressuscitou para nos garantir a vida eterna.
Portanto, é preciso chegar ao Sábado do Aleluia; é preciso deixar o Calvário e alcançar o lugar da última morada e testemunhar para os homens de hoje, que também nós encontramos o túmulo vazio, como testemunharam os quatro evangelistas. Essa tradição surgiu em Jerusalém e poderia ter sido negada, com a exibição do corpo, caso fosse inventada, como ainda hoje alguns inimigos da Igreja desejam apagar a fé dos cristãos, através de filmes, livros e descobertas arqueológicas. Felizmente, quanto mais negam a ressurreição de Jesus, mais cresce a fé dos fiéis, porque ela é um fato histórico. Desde o início, a piedade cristã teve interesse em venerar os lugares santos da paixão e morte de Jesus. Tive a graça de fazer também essa peregrinação e, como de costume, terminamos no Santo Sepulcro. Ao chegarmos nesse local, abri o Evangelho de Marcos 16,6 onde diz: “Vede o lugar onde o tinham posto. Já não está aqui, Ele ressuscitou”. Também no tempo de Santo Agostinho, os ateus diziam que enquanto os guardas dormiam, os discípulos de Jesus roubaram o corpo e o levaram para um outro lugar desconhecido. Respondendo, Santo Agostinho diz: “Mas quem dorme não vê! Como pode ser testemunha quem assim afirma?”
Entretanto, a fé no mistério da ressurreição não se apóia nesse fato. Nos próprios evangelhos, vemos reações diferentes. Os guardas são pagos para dar a versão do roubo, Madalena acreditou imediatamente. Para outros, eram delírios de mulheres.
O fato do túmulo vazio produziu sentimentos opostos de “medo e grande alegria” (Mt 28,8), de perplexidade (Lc 24,4) e de temor (Mc 16,5). O primeiro movimento não foi o de fé, mas o de fuga. “Elas saíram e fugiram para longe do túmulo, pois estavam todas trêmulas e transtornadas” (Mc16, 8).
O túmulo vazio é antes uma pergunta do que uma resposta, já que permite diversas interpretações. Um coração fechado, racionalista, buscará mil razões para explicá-lo. Mas, à luz da fé na ressurreição, o túmulo vazio é um livro aberto a ensinar-nos que Cristo está no céu, na sua totalidade humana.
Quando na missa, somos convidados a professar nossa fé, o túmulo vazio vem afirmar que Jesus todo, corpo e alma, está vivo. Esse é o dado dogmático fundamental. O túmulo vazio é um simples símbolo, sinal dessa realidade maior da totalidade da ressurreição de Jesus numa tomada de posição frontal, contra o pensamento grego que via a plenitude humana, na volta da alma à sua situação imortal e divina, desgarrada do cárcere do corpo.
Todavia, não é só o túmulo vazio que nos fala da ressurreição, como também as diversas aparições que se sucederam após a mesma.
Aproveitemos a Semana Santa para fortalecermos a nossa fé na ressurreição de Cristo e também em nossa própria ressurreição.