É costume, ao terminar o ano e estando para iniciar o outro, a saudação mais costumeira é “Feliz ano novo”.
Será que ao pronunciarmos, esta saudação, estamos convictos do que ela significa, ou melhor ainda, que elas se concretize na vida do amigo que estamos saudando?
Confesso que neste ano tive receio de responder essa saudação nos cartões que enviei e respondi.
Diante da crise econômica mundial e o egoísmo prevalecendo sobre a solidariedade que deveria existir entre os homens, especialmente os homens de poder e decisão, podemos acreditar que o ano 2009 traga para os homens segurança e felicidades?
Como ter segurança se já no final de 2008 estava acontecendo as demissões e as falências? Mesmo nas nações mais ricas percebemos um futuro incerto e apreensivo.
Tendo ainda em nossas lembranças a mensagem do natal, o que mais podemos desejar se não que ela ilumine todas as pessoas a serem solidárias eliminando de uma vez por todas o egoísmo.
Além da crise econômica, a uma outra não menos preocupante: é a violência em todas as camadas de nossa sociedade, como a guerra, o terrorismo, a injustiça social, e a pobreza tanto moral, como material e espiritual.
Falando de modo particular, sinto que até mesmo aquelas instituições insubstituíveis e fundamentais, parecem cada vez mais tornarem-se frágeis, inseguras e injustas, tornando-se desacreditadas.
A quem recorrer quando o judiciário, o legislador, o executivo e o poder religioso não conseguem cumprir com seus compromissos?
Percebemos o quanto somos indiferentes, egoístas, aproveitadores, interesseiros e quase nada fazemos para modificar a situação dos que sofrem.
Vivemos um momento difícil e se pode afirmar como documento de Puebla (1979), três visões envolve o homem de hoje:
1) – visão consumista;
2) – visão do liberalismo econômico, materialista e desumano;
3) – marxismo clássico.
Tudo se fabrica e se vende em nome dos valores do ter, do poder e do prazer, como se fosse sinônimos da felicidade humana. Esta filosofia gera o capitalismo selvagem que faz milhões de pobres e marginalizados e privilegia alguns poucos. Quando surge uma crise econômica mundial, os donos das multinacionais automobilísticas gritam por socorro para evitar o desemprego. Por que enquanto estão tendo lucros não repartem o que lucraram?
Mais uma vez temos que reconhecer que a mensagem do natal, quando entendida e assumida em sua profundidade e totalidade, somente ela poderá modificar nossas atitudes através de uma sincera conversão.
Natal não é trocar presentes, nem email e muitos menos cartões com palavras pré-fabricadas, mas é sentir e assumir tudo o que Cristo quer que mudemos para o melhor, daquela realidade que em cada ano, em cada momento, em cada ambiente, nos encontramos.