Colunistas

O CONFLITO DA FAIXA DE GAZA

29/01/2009

Padre Ronaldo Mazula

No dia 27.12.2008 foram iniciados os ataques israelenses contra os palestinos que vivem na Faixa de Gaza. “Segundo o chefe dos serviços de emergência de Gaza, Muawiya Hassanein, desde 27 de dezembro passado, 919 palestinos já morreram, incluindo 277 crianças, 97 mulheres e 92 idosos. Os ataques deixaram ainda 4.100 palestinos feridos.”     (cf.: www.uol.com.br, 13.1.2009).
A mídia mundial noticia o conflito com evidência e a situação é complexa. Alguns a analisam a partir de uma visão pró-israelense, apoiados no poder econômico judaico e em instituições de comunicação, também dominadas por judeus. Há os que analisam a situação a partir dos interesses palestinos e do mundo árabe; outros analisam a situação a partir da questão do petróleo e interesses americanos/ocidentais na região.
Estas questões são importantes, mas não justificam a morte violenta de tantas pessoas. Mortes que já ocorrem há décadas e, infelizmente, continuarão acontecendo.
Justificativas para que isso continue ocorrendo, tanto judeus como palestinos têm! E muitas justificativas são construídas a partir de interesses econômicos, políticos, geográficos (posse de terra, água e petróleo), religiosos etc.
Historicamente, os conflitos na região já existiam antes da era cristã, pois os grandes impérios da antiguidade sempre tiveram interesses nesta zona que é crucial para a geopolítica regional. Os egípcios, persas, gregos e romanos dominaram a região, provocando a diáspora ou dispersão judaica. Os romanos destruíram quase que completamente a cidade de Jerusalém, nos anos 70 e 135. A partir de 1897 houve um retorno sistemático de judeus à região. Com o holocausto nazista, na II Guerra Mundial, milhares de judeus fugiram para a região e em 1948 foi criado o Estado de Israel, paralelamente a um Estado Árabe. A situação se complicou com a chamada Guerra dos Seis Dias, em 1968, na qual Israel venceu Jordânia, Egito e Síria, anexando ao seu território novas áreas. Em todo este período houve vários momentos de tensão e de guerra e a paz foi se tornando insustentável. Com a organização do Estado Palestino, liderado por Yasser Arafat, esperava-se a consolidação do processo de paz, o que não ocorreu, especialmente após sua morte e a divisão da Autoridade Palestina, em 2007, entre os partidos Fatah, que ocupa a Cisjordânia e Hamas, que ocupa a Faixa de Gaza.
Foi feito um acordo de cessar fogo entre o Hamas e o Estado de Israel, que acusa os palestinos de violarem tal acordo e assim justificam os ataques aos palestinos. Os palestinos acusam Israel por promover um embargo econômico desumano e por não concluir a desocupação de cidadãos judeus que ocupam esta região e também se sentem incomodados. Tudo isto está gerando os atuais conflitos.
Não aceitamos a violência de nenhum dos lados. Será preciso muito diálogo e bom senso para se chegar a um acordo e assim, evitar a morte de inocentes, especialmente palestinos, que sofrem também com a pobreza provocada pelo embargo e os problemas da falta de condições dignas de vida.
E como afirmou o papa Bento XVI, “nestes dias, assistimos a uma intensificação da violência que provocou danos e sofrimentos imensos entre as populações civis e mais uma vez, quero assinalar que a opção militar não é uma solução, e a violência, venha de onde vier e sob qualquer forma, deve ser firmemente condenada” e convidou a todos para buscar uma solução negociável ao conflito, “renunciando ao ódio, à provocação e ao uso das armas”. (cf.: zenit.org, 8.1.2008).
Creio que somente uma intervenção internacional seja o único caminho para a solução do problema e para a construção de um processo pacífico de convivência. No momento, Israel rejeitou proposta da União Européia e EUA e, com isso, pode se complicar mais ainda a situação. Porém, desejamos a PAZ, para esta região e outras regiões onde estão morrendo, vítimas da guerra, da fome e doenças endêmicas, milhares de pessoas (República Democrática do Congo, Zimbábue, Somália, Sudão etc.).

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