Colunistas

FÓRUM SOCIAL X FÓRUM ECONÔMICO

12/02/2009

Padre Ronaldo Mazula

Foi realizado de 26 a 31/1/2009, em Belém, Pará, a nona edição do Fórum Social Mundial, e paralelamente, em Davos, na Suíça, se realizou também, o Fórum Econômico Mundial. Ambos tentam encontrar soluções para a crise atual que degrada o sistema econômico, o sistema financeiro, o meio ambiente e que afeta a humanidade. Porém, o fazem por caminhos diferentes.
O Fórum Social busca soluções para os tantos problemas provocados pela globalização e pelo capitalismo, que geram pobreza, miséria e exclusão para milhões de pessoas e degrada o meio ambiente. Prega e propõe o OUTRO MUNDO POSSÍVEL, com processos de inclusão social, política e econômica, com o cuidado pelo meio ambiente e maior valorização da vida humana e planetária. Assim, acredita na mudança dos compromissos políticos, sociais e ambientais e propõe uma nova agenda mundial.
Em Belém, o Fórum Social contou com a participação de 120 mil pessoas (5 presidentes de países latino-americanos, políticos, ativistas mundiais etc). Neste momento de crise mundial, como afirma Oded GRAJEW, um dos articuladores do Fórum Social, “esta é a edição mais importante depois da primeira, em 2001”... “Grajew diz que o colapso financeiro confirmou as previsões que o fórum fazia. ´É só recuperar a toda a nossa história. Sempre falamos isso. Mas a gente não fica contente com a crise. Queremos é um mundo com qualidade de vida.´” (cf.: Folha de São Paulo, 25/1/2009, A14). E a qualidade de vida se constrói com a justiça social, com a democracia participativa e solidária e com o desenvolvimento sustentável.
    O Fórum Econômico contou com a participação de 40 chefes de Estado e 15 ministros de finanças, 20 dirigentes de bancos centrais, empresários e mais umas 2500 pessoas, em sua grande maioria, representantes de países ricos que dominam o cenário econômico e político mundial. Defensores do capitalismo, promovem uma economia baseada no lucro, produção, acumulação e consumismo e não aceitam qualquer controle ou regulamentação, seja eles estatais ou não, que possam controlar ou inibir o mercado. A livre concorrência impõe a lei do mais forte e isso é perigoso e ambíguo.
    Em outro artigo, Oded GRAJEW afirma que o Fórum “será a oportunidade de perceber que o atual colapso financeiro, os conflitos armados e a degradação ambiental fazem parte de uma mesma crise de valores decorrente do modelo de desenvolvimento que privilegia a  competição, sem limites e a qualquer custo, pelo poder e pelo acúmulo de bens materiais. Essa luta, em que impera a lei do mais forte, degrada o tecido social, pelo aumento da distância entre ricos e pobres; fomenta crises econômicas, alimentadas pela desconfiança generalizada e pelo clima de salve-se quem puder; corrompe a sociedade e os governantes, que necessitam cada vez mais do poder econômico para se elegerem; arrasa o meio ambiente, aquece o planeta e esgota os recursos naturais, vitais para a sobrevivência das espécies; acirra os conflitos estimulados pelo ambiente competitivo, pelos interesses econômicos e políticos que lucram com as guerras, pela luta cada vez maior pela posse de recursos naturais e de fontes de energia, pela pobreza e desinformação que facilitam a manipulação das massas e degradam a democracia.” (cf.: Folha de São Paulo, 26/1/2009, A3)
    Oxalá haja mais diálogo entre todas as lideranças mundiais e que todos possam, acima de tudo, se sensibilizar pelos problemas que afligem milhões de seres humanos, superando a ótica do individualismo e egoísmo que pode ceder espaço para a solidariedade e comunhão que construirão a tão sonhada justiça social para todos.

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