Colunistas

Jejum e Abstinência

29/05/2009

Padre Pedro

O quarto mandamento da lei da Igreja diz o seguinte: “Jejuar e abster-se de carne, quando manda a Santa Mãe Igreja”. Por Jejum, encontramos o seguinte no dicionário Aurélio, no verbete correspondente. “Abstinência total ou parcial de alimentação, em certos dias, por penitência ou prescrição religiosa ou médica.” Abstinência: “Abstenção, qualidade de quem abstém, continência”. Encontramos no diretório litúrgico da CNBB a seguinte orientação: “Estão obrigados a lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade (quem completou 18 anos) até o sessenta anos começados. Todavia os pastores de almas e pais cuidem para que sejam formados para o genuino sentido da penitência também os que não estão obrigados a lei do jejum e da abstinência, em razão da pouca idade (cf. Cân.1252).No Brasil, toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do Calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstenha de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.“A quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência.”Ainda no verbete abstinência, encontramos o seguinte, no dicionário de Pastoral: “Abstinência, em geral, é a privação voluntária de algum tipo de comida ou bebida, com fins muito diversificados. Quando se faz com intenção penitencial, constitui um dos atos de mortificação típicos da tradição ascética do cristianismo, sobretudo a abstinência dos alimentos feitos com carne ou com os seus extratos, que não exclui o uso de ovos, e de condimentos gordurosos.” E ainda deixar de comer carne vermelha ou qualquer outro tipo de carne branca. Os doces e guloseimas. Podendo tomar muito líquido, mas privando-se de refrigerantes, bebidas alcoólicas e qualquer outra bebida que quebre o jejum.A alegria do cristão não brota apenas de motivos humanos, dos prazeres da carne, dos bens materiais, mas, sobretudo, dos bens espirituais. Fazer jejum abster-se de comidas fortes e prazerosas em dias de extrema espiritualidade é purificar-se; limpar-se das imundices humanas para dar lugar as coisas divinas, espirituais. É abandonar os prazeres materiais, para abraçar os prazeres da alma que só Deus pode proporcionar. É incluir-se no chamado à salvação.O jejum a abstinência não é uma imposição mas uma sugestão, do Antigo e do Novo testamento, para os homens que desejam valorizar e abraçar os bens espirituais, renegando por um ou dois dias, que seja, os prazeres humanos.Muito, deseja a Igreja, resgatar com o jejum, a abstinência, a oração e o silêncio, a espiritualidade e a mística do ser humano atual que tem se perdido com o excesso de apego aos prazeres efêmeros do mundo.“Alegrai-Vos sempre no Senhor! Repito: Alegrai-Vos: O Senhor está próximo” (Fl 4,4). Ele está no meio de nós, dentro de nós. Jesus morto e ressuscitado inaugura o dia eterno, que não conhece ocaso. Jesus, ontem, hoje e sempre, fonte de alegria. Ele ressuscitou: com ele, por ele e nele já celebramos antecipadamente nossa ressurreição.Feliz Páscoa!

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