Colunistas

Zito Covas e a Piscina

29/05/2009

Covas Junior

Quando era moleque travesso, meu pai, Zito Covas, juntava o grupo de amigos para nadar e pescar  no imenso brejo infestado de sapos, pererecas, rãs e animais peçonhentos como espécies de cobras e caranguejeiras, existente na vasta área hoje compreendida pela Avenida 14 de Março e imediações. Era o “barro preto”, como eles chamavam. Ali havia um imenso poço fundo, formado por águas da chuva e do córrego hoje devidamente canalizado. Zito Covas, meu saudoso pai, era muito familiarizado com aquele ambiente, pois nasceu e foi criado na antiga Rua do Outro Mundo, hoje José Augusto Fernandes, numa casa pertencente à minha avó, Tereza Carnevalli, cujo muro dividia com o referido brejo.          Certo dia houve um fato engraçado: Zito batia a peneira na água em busca de bagres e lambaris e, de repente, acabou pescando uma jararaca que quase picou o Aderbal Figueiredo, que era integrante daquela turma que deixou saudade. Aderbal era filho de um dono de cartório e foi um jornalista de rara competência, a ponto de chegar ao cargo de editor-chefe dos antigos Diário de São Paulo e Diário da Noite, da cadeia dos Diários e Emissoras Associados. Mas aqueles meninos aprenderam a nadar naquele poço de maneira natural e sem receber qualquer orientação técnica.          Na ocasião – primeira fase da década de 30 – corria, de boca em boca, a notícia de que o então prefeito José Pimenta Neves e o emérito engenheiro Carlos Zamboni estavam a procura de um local para ser construída uma piscina. Zito, ainda de calças curtas e descalço, trabalhava de entregador de remédios na farmácia de um filho do Capitão Tito que existia onde hoje de localiza as Casas Pernambucanas. Certo dia, ele conversava como amigo Dengo (aquele folclórico torcedor do Batatais), quando o prefeito e o engenheiro passaram em frente. Os dois se indagavam sobre o local do clube e, Zito, atento à conversa, interrompeu dizendo que sabia onde a piscina poderia ser construída. Zé Pimenta e Zamboni se interessaram na sugestão e meu pai levou os dois até o poço do “barro preto”. No ato, ficou decidido que ali seria construída a tão sonhada área de lazer, batizada como Centro de Cultura Física, com entrada pela travessa que ligava a atual Praça Doutor Jorge Nazar à Rua Coronel Joaquim Alves.O engenheiro Zamboni fez questão que Zito e os amigos participassem dos primeiros trabalhos de perfuração do tanque maior e colocação de escoras de madeira.           No ato de inauguração, durante a solenidade, o prefeito Zé Pimenta convidou Zamboni para dar o primeiro mergulho, mas, inesperadamente, o engenheiro passou a honraria para Zito Covas que, mais do que de pressa, pulou e deu as primeiras braçadas das muitas que sua vida programara.          Uma das primeiras providências, depois da inauguração da piscina, foi providenciar a formação de uma boa equipe de nadadores, com o aproveitamento dos ex-meninos do antigo poço que já eram jovens atletas. E, essa fenomenal equipe foi fomada, com destaque para Zito Covas, Alvim Roncarati (irmão da Flora e do Agostinho), Mário Caran (filho do Felipe) e o Cassianinho, como era chamado o Geraldo Menezes (que não era o ex-deputado e sim o filho do sr. Cassiano, comerciante da praça da Matriz). Era uma equipe imbatível nas intermináveis competições regionais e até na capital, onde todos participaram da travessia do Rio Tietê a nado. Eles pularam na Ponte de Vila Maria e nadaram até a Ponte da Anhanguera. O vencedor da prova foi o legendário João Havelange, por longos anos o “rei do futebol brasileiro” e que, na época, era, sem dúvida, o melhor nadador do Brasil.           De todos, o mais apegado à piscina, sem dúvida, foi Zito Covas. Ele só deixou de freqüentar o clube diariamente quando as forças biológicas começaram a apresentar os desgastes naturais da vida.  Covas Junior – jornalista 

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