Colunistas

Fausto Degani, um artista memorável

29/05/2009

Covas Junior

          Normalmente, um artista se especializa em um segmento de arte, mas não foi o que aconteceu com Fausto Degani, meu grande e saudoso amigo – apesar da diferença de idade – e com quem convivi intensamente, bem como com sua família, principalmente o filho Gilberto. Fausto era mesmo um artista completo em todos os setores, a começar pelos acordes ao violão, que dominava com perfeição tanto no acompanhamento como no solo, passando pela composição, canto, poesia, interpretação e direção teatral e escultura. Não sei se ele deixou algum quadro pintado, mas não me causaria surpresa em caso afirmativo.          No violão, Fausto sempre foi o mais importante professor da cidade, ensinando a todos os alunos pretendentes, como o caso do professor Luís Carlos Covas, grande cantor daqueles temos. Além do mais ele se apresentava em solos ou se acompanhando, ou então formando a parte vocal e de harmonia com o Trio Bandeirante, ao lado de Maria Degani e João Lopes Oliveira, e, também, acompanhando inúmeros outros cantores daquela época. Esse Trio Bandeirante era uma coisa extraordinária. Fausto, Maria e João procuravam seguir os passos do célebre Trio de Ouro, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, formado pelo Herivelto Martins, sua então esposa Dalva de Oliveira e  Nilo Chagas. Tudo o que o Trio de Ouro gravava, o nosso Trio Bandeirante aprendia e cantava, inclusive, evidentemente, a “Ave Maria no Morro”, obra-prima de Herivelto.          Como compositor, Fausto deixou dezenas de páginas musicais que guardo bem na memória, como  “Carro de Boi”, que era a minha preferida, onde ele dizia...”carro de boi, carro de boi, o seu cantar que há muito se foi”... ou então “Dilmare”, uma linda canção dedicada à sua amada esposa, dona Dilma. Na poesia ele fazia versos, muitos dos quais musicados por outros compositores da cidade. Na interpretação e direção teatral sua presença era permanente em todas as montagens, ao lado de atores amadores de raro talento, como era o caso do próprio João Lopes, da Romilda Lavaginini, minha saudosa tia, do Fiovo Tambelini, Ditinho Carvalho e sua esposa Belém, Serrases, o legendário fotógrafo Loyola, a Odete Fantacini, enfim, eram muitos que se destacavam em grandes peças sempre encenadas no Cine São Joaquim ou no antigo salão da Operária cujo palco, em 1952, cedeu espaço para a montagem de “Terra Bendita”, uma peça de Jorací Camargo. E, enfim, descobri, um dia, que Fausto também era escultor, trabalhando em madeira. Ele percorria áreas arborizadas da cidade, sempre prestando atenção nas árvores, à procura de forquilhas que eram cortadas, trabalhadas e envernizadas, apresentando como resultado final vários tipos de formatos.          Nunca houve uma atitude tão certa da classe política de Batatais a não ser batizar o teatro municipal com o nome de Fausto Degani. Seu nome por completo era Fausto Belini Degani e, por isso, defendia a tese de que era descendente do grande compositor Belini, autor da ópera Norma e vivia cantando a ária “Casta Diva”.           Fausto foi, sem dúvida, um artista memorável! 

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