Colunistas

O REINO DE DEUS

25/01/2010

Padre Pedro

             A mensagem inicial que Jesus proclamou neste mundo expressa, portanto: “Converti-vos, pois o Reino dos céus está próximo”. O povo conhecia a expressão empregada. Mas, em que sentido é que Jesus entende o “Reino”? Pois acontece que ninguém pega em armas e estrela alguma cai do céu. Qualquer forma de esperança nacionalista e apocalíptica fica decepcionada. O inesperado em sua pregação é, em primeiro lugar: que não acontece nada!            Tampouco joga Jesus com datas. “Vigiai”,dirá Ele, pois não sabeis o dia em que virá vosso Senhor (em sua glória)” (MT 24,42). Condena, pois, a inclinação humana, que existe até hoje, de determinar o dia em que o mundo acabará. Por certo, tal Dara, determinada em precisão, dá à fé algo de excitante e de aparentemente forte, pelo fato de fixar a atenção numa exterioridade aprazada, mas Jesus quer comunicar algo de mais profundo e fundamental.            Também evita cuidadosamente as descrições fantásticas comumente em uso. Anunciará, sem dúvida, uma grandiosa intervenção de Deus, mas esse “fim de mundo” não coincide para Ele com a primeira inauguração do Reino. Aliás, a sua descrição do fim é extremamente moderada, em comparação com a apocalíptica de seu tempo. Toda a sua mensagem está concentrada, não em um acontecimento externo, mas no próprio fato de Deus reinar.            Com isso, aproximamo-nos do ponto mais tocante de sua mensagem: anuncia o Reino que começa agora a ter seu inicio. O Reino está aí presente. Onde? Na própria manifestação de Jesus!            “Voltou-se, então, para os seus discípulos e disse-lhes: Ditosos os olhos que vêem o que vós vedes. Pois, digo-vos: “Muitos Profetas e Reis desejaram ver o que vós vedes, mas não o viram; e ouvir o que vós ouvis, mas não ouviram” (Lc 10,23-24). “Bem aventurado aquele para qual Eu não for ocasião de escândalo!”(MT 11,6).            Não padece dúvida que, inicialmente, Jesus é muito reservado em revelar o mistério de sua pessoa, falando apenas da dominação de Deus. Mas essa reserva não podia manter oculto o fato de a dominação de Deus estar presente no mundo, por Ele mesmo aí estar.Os videntes apocalípticos falavam de coisas alheias a si mesmos: Jesus, porém, falando no Reino, trá-lo consigo. Para Ele não se trata de visão longínqua: Ele Próprio está no centro do Reino, implicado num combate contra o outro reino. “Se Eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus”. (Lc 11,20).            E, no entanto, nada de sensacional, exteriormente! Aos que lhe perguntam pela data, Jesus responde: “O Reino de Deus não vem de modo ostensivo. Não pode dizer: “Ei-lo aqui” ou, “Ei-lo ali”. Pois, o Reino de Deus já está no meio de vós” (Lc 17,20-21). Nada de revolução nacional!Nada de sinais no céu! Mas algo de Deus e do céu que fica oculto no dia-a-dia, na vida comum cós homens.

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