Colunistas

PARADIGMA: POBREZA E CRIMINALIDADE

04/06/2010

Capitão Marcelo Sançana

Comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar

                         A violência e a criminalidade possuem dois fatores diretos: as drogas e a impunidade. Os demais fatores, tais como a desestruturação familiar, a má educação, o materialismo exagerado, o desemprego, as más companhias, a curiosidade inconseqüente levam inicialmente às drogas (por isso estes são somente fatores indiretos), e a droga sim o fator direto e que leva ao crime. Inclusive, as companhias (“os amigos”) e a curiosidade inconseqüente são os dois principais fatores que levam às drogas (fatores esses constatados pela grande maioria das clínicas de recuperação, independentemente da classe social), e, é bom que se diga, que os principais fatores, como visto, são as companhias e a curiosidade e não são o desemprego, a pobreza e a desestruturação familiar, ao contrário do que muita gente pensa. Por esta razão é que temos visto, atualmente, pessoas de classe média e classe alta ligadas ao crime, e, ao mesmo tempo, vemos milhões de pessoas com baixa renda (mas que não são usuárias) trabalhando dignamente e sem cometer delitos.

                         A pobreza é até um fator que pode levar à desestruturação familiar, mas não leva diretamente à criminalidade se não levar antes às drogas. As drogas sim é que levam à criminalidade, visto que uma pessoa pobre só se tornará criminosa caso se torne antes uma viciada e não tenha renda para sustentar esse vício. A pobreza, na verdade, é um fator que leva às drogas, e, apenas indiretamente, pode levar ao crime pelo fato de poder levar antes às drogas.                     O crime organizado, hoje, é praticamente formado por viciados em drogas que cometeram inicialmente outros crimes para manter o próprio vício, evoluindo posteriormente para crimes mais graves.  Ninguém nasce bandido, mas sim vira bandido depois de ter se viciado antes nas drogas e, por conseqüência, não conseguir, por si só (ou através de seus pais), sustentar esse vício. Dessa forma, a droga é o outro fator direto da criminalidade. Porque hoje em dia até integrantes das classes média e alta têm furtado, roubado ou traficado? Porque algumas pessoas que são de origem, em tese, de uma família estruturada entram no crime? Porque algumas moças, mesmo provenientes de famílias abastadas, se sujeitam a “vender o próprio corpo”? A resposta está no seguinte: sendo um drogado e não sustentando esse vício, o caminho será o tráfico, o roubo, o furto e outros delitos; e se for mulher viciada, também sem renda para se manter no vício, a escolha poderá ser, ao invés do crime, a prostituição, “vendendo o próprio corpo” para traficantes-usuários em troca de meia dúzia de papelotes de pó, pedras de crack ou cápsulas de êxtase.

                      Então o problema não está no menor ou no maior, ou ainda em quem é pobre ou rico, e sim está justamente em quem é usuário ou não de drogas e não consegue, por si só ou através de familiares, sustentar esse vício. É evidente que o menor aparece mais, pois para ele a impunidade é maior, como também uma pessoa mais pobre, ao entrar nas drogas e não ter recurso para sustentar o vício, poderá mais facilmente ingressar no crime, diferentemente do mais rico que só se tornará traficante-usuário ou ladrão caso o papai não o sustente ou não tenha emprego e renda para se manter no vício. As drogas e os usuários é que são os responsáveis pelos delitos caso os últimos não sustentem o vício e não a pobreza propriamente dita. Pobreza não é sinônimo de crime, até porque a grande maioria das pessoas mais pobres é digna e trabalhadora, ao contrário de alguns ricos, que pelo fato de serem viciados, se envolveram com a criminalidade quando não sustentaram o vício.  

         Vamos quebrar, então, esse paradigma.

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico
ou impresso sem autorização escrita da Batatais Online
1.998©2007 TVbatataisonline: Todos os direitos reservados