Colunistas

PARAGUASSU, O Italianinho do Brás

10/06/2010

Covas Junior

Quando eu trabalhava na Rádio Difusora de Batatais, no prédio do antigo Cine São Joaquim, fui locutor comercial do programa do Juca Pindoba, nome artístico do Humberto Bianco. O Pindoba gostava muito de tocar um disco 78 rotações com o Paraguassu cantando Noite Cheia de Estrelas, a célebre canção de Cândido das Neves, o Índio. Por várias vezes o Pindoba pediu que eu fosse até a discoteca apanhar o disco e entregar para a Maria Rizzo, que era a operadora da mesa de som. Já em São Paulo, na Rádio Record de Paulo Machado de Cavalho, onde atuei por 32 anos, chegando ao cargo de Diretor de Jornalismo, fui, em 1969, locutor do programa sertanejo do trio Torres, Florêncio e Nininho, os Três Batutas do Sertão. O programa era ao vivo, no antigo Estúdio Comendador Siqueira, e o trio, chefiado pelo Raul Torres, tinha o costume de trazer artistas para se apresentarem ao vivo. Uma bela manhã, lá estava o Paraguassu, já um tanto avançado na idade, mas irradiando um talento invejável. Sempre com o inseparável violão, Paraguassu cantou Luar do Sertão, de Catulo da Paixão e João Pernambuco, Tristezas do Jeca, do Angelino de Oliveira, Jura de Caboclo, do Cândido das Neves, e, aproveitando o embalo, a meu pedido, a mesma Noite Cheia de Estrelas, do mesmo autor que, também, foi um célebre palhaço de circo. Falei ao Paraguassu sobre o disco pertencente à discoteca da Difusora e ele contou alguns detalhes da gravação original e da sua amizade com o Índio.       Neste artigo, dou sequência à série de relatos sobre grandes vultos da música popular Brasileira, iniciada com Vicente Celestino. E, Paraguassu, sem dúvida alguma, foi um grande cantor da sua época que gostava de se acompanhar ao violão, instrumento que executava com grande perfeição, inclusive ao lado do célebre Garoto, um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos e amigo inseparável do cantor apelidado de O Italianinho do Brás.       De fato, Paraguassu nasceu no dia 25 de maio de 1894 como membro de uma família de imigrantes italianos, no bairro do Belenzinho e viveu sempre naquela região do Brás, um dos  bairros mais centrais da cidade de São Paulo. Quando tinha 18 anos, Paraguassu começou a cantar profissionalmente, principalmente nas tradicionais cantinas que existiam nas proximidades do Largo da Concórdia, ao lado do Teatro Colombo, onde ele chegou a se apresentar por várias vezes. Na sua primeira atuação como profissional, ele foi acompanhado ao violão pelo próprio Cândido das Neves, que, além de compositor e cantor, era palhaço do circo onde se deu o espetáculo. Nosso artista começou a cantar, apresentando-se com o seu nome verdadeiro,Roque Ricciardi. Um dia, o amigo Catulo da Paixão Cearense, sugeriu que ele adotasse um nome artístico mais condizente com o gênero musical que exercitava, e, acima de tudo, um nome bem brasileiro. O cantor pediu uma sugestão  e Catulo  disse: Que tal Paraguassu? O artista aceitou no ato e, assim, passou a ser conhecido como Paraguassu, O Italianinho d Brás. Em 1927, Paraguassu foi contratado pela fábrica de discos Colúmbia, onde gravou uma música de sua autoria, Benteví. Vendeu cerca de dois mil discos por dia. Paraguassu morreu realizado, assistido pelos filhos, no dia 5 de janeiro de 1976, aos 82 anos. Covas Júnior – jornalistaajcovas@radiocapital.am.br 

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