Colunistas

São Pedro, primeiro Papa

08/07/2010

Padre Pedro

Quem é que não conhece a vida de São Pedro, daquele pescador da Galiléia, escolhido por Nosso Senhor para ser o primeiro dos Apóstolos? São Pedro, forte na fé, dedicado ao divino Mestre a ponto de querer defende-lo com a espada! São Pedro que, fraco na tentação, negou o Mestre, mas pela contrição se levantou e por Jesus foi nomeado chefe da Igreja! Não é tanto a vida de São Pedro que hoje se nos apresenta, senão mais o seu pontificado.            Na primeira vocação do apóstolo, Jesus o fitou e disse: Tu és Simão, filho de Jonas; serás chamado “Cefas”, que quer dizer Pedro, isto é, pedra. Essa mudança de nome é significativa. Jesus mesmo deu a explicação desse nome, quando em Cesaréia de Filipe, disse: “... Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: tudo que ligares na terra, será ligado nos céus; e tudo que desligardes na terra, será desligado nos céus.”            Depois da gloriosa Ressurreição, da pesca milagrosa, do repasto misterioso na praia do lago Genezareth, Jesus dirigiu-se a Pedro, perguntando-lhe: “Simão, filho de Jona, amas-me mais do que estes?” Ele lhe respondeu: “Sim, Senhor, sabeis que vos amo”. Jesus disse-lhes: “Apascenta os meus cordeiros”. Com estas palavras Pedro foi pelo divino Mestre instituído pastor do seu rebanho.            Assim São Pedro o compreendeu e pelos Apóstolos foi reconhecido Chefe da Igreja. Logo depois da Ascensão de Jesus Cristo, Pedro propôs a eleição dum substituto de Judas. Na festa de Pentecostes, Pedro tomou a palavra e falou com tanta convicção e tanto poder, que no mesmo dia três mil judeus pediram o batismo. Foi Pedro também o primeiro que com grandes milagres confirmou a verdade da fé, que pregava. Ao pobre paralítico que, sentado na porta do templo, lhe pediu esmola, disse o Apóstolo: “Prata e ouro não possuo, mas o que tenho te dou: Em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te e anda.”            No mesmo momento o paralítico se levantou e andou. Além deste, Pedro operou ainda muitos milagres. Doentes que lhe tocavam a orla do manto ou se lhe colocavam na sombra, ficavam curados. As autoridades do templo quizeram proibir a Pedro a pregação da nova doutrina. Este, porém, respondeu: “E preciso obedecer a Deus de preferência aos homens”. Assim Pedro pregou o Evangelho com toda a franqueza, não temendo cárcere e açoutes. Foi também o primeiro dos Apóstolos que pregou aos gentios, como prova a conversão de Cornélio.            É difícil resumir em poucas palavras o que o grande Apóstolo fez pela propagação da santa fé. Atravessou toda a Palestina, pregou e fez milagres estupendos, onde quer que chegasse. Curou instantaneamente a Enéas da paralisia, de que sofria havia dito oito anos; chamou a vida a Tabita, ordenou sacerdotes e sagrou bispos. Fixou residência em Antioquia, onde permaneceu durante sete anos. Preso por ordem de Herodes em Jerusalém, foi por um Anjo libertado da prisão. Depois disto se dirigiu a Roma, a sede da idolatria. De lá mandou missionários para a França, Espanha, Sicilia e Alemanha. Nove anos depois, sendo expulso de Roma, voltou a Jerusalém, onde pouco tempo ficou, para procurar outra vez a capital do império. Em Roma vivia um grande feiticeiro chamado Simão, que fazia guerra a Igreja de Cristo. Tendo muito prestigio entre os romanos e sendo protegido de Nero, marcou um dia em que, para comprovar a verdade da sua doutrina, na presença de todo o povo ia elevar-se ao Céu. Chegou o dia determinado e Simão de fato subiu aos ares. Pedro ordenou aos maus espíritos que se afastassem e Simão caiu de uma altura considerável, fraturando as pernas.            Este fato abriu os olhos de muitos, que em seguida vieram pedir o sacramento do batismo. Mas serviu este fato também para que se desencadeasse uma furiosa tempestade contra a jovem Igreja.            O imperador Nero atiçava as paixões contra os cristãos. Pedro conservara-se algum tempo escondido da sanha do tirano e projetara a fuga de Roma. Saindo da cidade assim conta a lenda teve uma visão. Viu diante de si o divino Mestre. “Senhor, para onde ides?” perguntou-lhe o Apóstolo. “A Roma para ser crucificado outra vez”, respondeu Jesus, e a visão desapareceu. Pedro compreendeu o sentido das palavras e voltou para traz. Foi preso e levado ao cárcere mamertino, onde se achava também São Paulo.            A prisão durou oito meses. Nesse meio tempo São Pedro converteu os carcereiros Martiniano e Processo, que, com mais quarenta e oito neo-cristãos, sofreram o martírio.            Condenado a morte, São Pedro foi, como o divino Mestre, cruelmente açoitado e em seguida levado a colina vaticana para ser crucificado. Estando tudo pronto para a execução, São Pedro pediu aos algozes que o pregassem na cruz com a cabeça para baixo, porque se achava indigno de morrer como o divino Mestre. Assim morreu o primeiro Papa da Igreja católica. No lugar do suplicio foi mais tarde edificada a Basílica de São Pedro. Os restos mortais do Príncipe dos Apóstolos e primeiro papa se acham na mesma Basílica.  

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