No dia 29 de junho a Igreja Católica recorda a memória e testemunho de São Pedro e São Paulo, dois seguidores de Jesus Cristo, organizadores do Cristianismo primitivo e servidores do Reino de Deus. No Brasil, esta grande solenidade é celebrada sempre no domingo posterior ao dia 29.junho.
PEDRO e PAULO: homens totalmente diferentes, mas unidos em torno de um objetivo comum: anunciar e testemunhar a mensagem cristã.
PEDRO: pescador da Galiléia, simples e rude, com um temperamento forte e incisivo, homem de muita ação e dedicação. Coube a ele a missão de dirigir e orientar a comunidade cristã nascente. Após a ressurreição e ascensão de Jesus, liderou a comunidade de Jerusalém e depois, em função das perseguições movidas pelos judeus palestinenses (At 4,3-23; 5,18 e 35; 12,7) , fugiu para Cesaréia (At 12,17), passou por Antioquia, Corinto e dali chegou a Roma, capital do grande império romano. Na ´cidade eterna´, chegou em torno do ano 43 e ali permaneceu por uns 25 anos, com algumas interrupções, segundo antiga tradição e testemunho de São Jerônimo. Em Roma ele testemunhou a fé cristã, foi o primeiro papa e sofreu o martírio no ano 67 dC, na perseguição do imperador Nero. Além dos relatos nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos, podemos conhecer seu modo de pensar e agir nas Primeira e Segunda Carta de Pedro, que estão Novo Testamento, no conjunto das cartas eclesiásticas.
PAULO: ficou conhecido como Apóstolo dos gentios e dos pagãos por ter se colocado a serviço da pregação do Evangelho de Jesus em meios não judaicos. Ele foi um judeu da Diáspora, ou seja, judeu que nasceu e viveu fora do território da Palestina, tinha cidadania romana, conhecia muito a cultura greco-romana e intelectualmente era privilegiado. Foi um judeu fariseu, conservador, militante e perseguiu muitos cristãos (a quem chamava de membros de ´seita herética do judaímo´), conduzindo muitos ao martírio. Viveu uma profunda experiência de conversão ao Cristianismo e a partir daí, dedicou-se inteiramente a anunciar e testemunhar a fé cristã. Foi um grande missionário, e apesar das grandes dificuldades de transportes da época, fez várias viagens missionárias que duraram anos, até sua morte e martírio, em Roma, no ano 67, também na perseguição de Nero. Paulo também deixou vários escritos, nos quais podemos conhecer seu pensamento e testemunho de vida que fazem parte do Novo Testamento: as Cartas aos Tessalonicenses, Coríntios, Gálatas, Filipenses, Romanos, Efésios, Colossenses, Filêmon, Timóteo, Tito.
Pedro e Paulo são considerados os grandes organizadores e articuladores do Cristianismo nascente e foram, cada um com suas características específicas, imprescindíveis para a expansão cristã. Viveram em um mundo diferente do nosso, mas conviveram com problemas semelhantes: uma sociedade greco-romana paganizada, exclusões sociais de vários tipos, desprezo e violência contra a vida humana e ambiental, corrupção, injustiças sociais etc.
Pedro e Paulo são para nós, cristãos do Terceiro Milênio, modelo de grande amor a Deus e à humanidade. São exemplos de uma profunda experiência de Deus, de uma dedicação incansável ao mundo espiritual, de uma grande disponibilidade à missão eclesial, de um amor e dedicação que leva a dar a vida por Jesus e seu Reino.
Que Pedro e Paulo intercedam por nós junto a Deus, para que como eles, sejamos mais santos e santas, totalmente dedicados ao seguimento de Jesus e à vontade de Deus.
Pe. Ronaldo Mazula, cmf