Colunistas

VIOLÊNCIA - Até quando?

16/07/2010

Renata Krebsky Darini

Assistente Social

Aos amigos leitores que tanto me incentivaram a continuar a escrever neste semanário, aqui estou novamente para uma segunda e breve temporada, abordando um tema que está nos noticiários nacional, regional e local, o que muito nos entristece. 

            A agressividade é natural ao ser humano. Foi necessária à sua sobrevivência e defesa pessoal. Ela se manifestou em situações de riscos: ataques de animais, lutas corporais contra invasores, catástrofes... Com o passar dos séculos, a humanidade aprendeu a lidar com essa hostilidade, surgiram às regras para o bom convívio social. A educação foi elaborada. Nasceram as escolas, mas a família era a responsável pela educação dos filhos. O desenvolvimento tecnológico iniciou um caminho sem volta... Enquanto isso, na escola, o professor, era o detentor do saber e o aluno, pacífico ouvinte, recebia o conhecimento sem nada contestar. 
                        Atualmente, as famílias pouco se encontram. Em casa, cada um tem seu horário de trabalho e estudo, os pais já não têm tanto tempo para o contato físico com os filhos. Muitas famílias estão desestruturadas pelo alcoolismo, pela droga, pela violência doméstica, desagregação familiar, ausência de valores. O professor já não é o detentor do saber. A informação está em todas as partes: livros, revistas, jornais, cartazes, rádio, televisão, cinema, cd, DVD, internet.

             Essa informação que chega em grande quantidade torna tudo muito fácil, não é preciso pensar, não é necessário esforço para assistir a um filme, ouvir uma música, navegar na internet. A escola, apesar de ligada à rede mundial  não consegue acompanhar todos os avanços. Já não atrai grande parte dos alunos.  
                        A violência chegou à escola: alunos agressivos uns com os outros. Nas salas de aula respira-se o desânimo e a indisciplina. Isso é refletido em vandalismos, agressões físicas e verbais, rejeições, discriminações. O professor é tratado com desrespeito e descaso. Ordens e regras pouco são acatadas. Em algumas turmas, dar aulas tornou-se uma tortura. O respeito que se tinha pelo professor não é mais o mesmo. Casos de agressões físicas, ameaças e humilhações a professores tornaram-se comuns, e são notícias em jornais nacionais e internacionais. Tornou-se corriqueiro ver um professor agredido e humilhado desistir da profissão. Ofensas morais, cuspidas, cabelos queimados, socos na cabeça e pescoço, chutes na cabeça com perda de dentes,  a ponta de um dedo decepada, sapatadas.

            São diárias, literalmente diárias, as notícias de violência perpetrada por crianças e adolescentes contra professores. Basta ver as datas das reportagens citadas. E os agressores nem são punidos ou são transferidos por simples conveniência, dadas as pequenas proporções das agressões.  Está muito difícil a vida dos professores  que lidam com jovens, pelo país afora. Não bastasse o trabalho tão excessivo quanto irrisória a remuneração, a falta de condições de trabalho, a falta de reconhecimento profissional e verdadeiro menosprezo pela docência, a falência do sistema educacional, a letargia dos estudantes e muitas outras chagas, ainda precisam defrontar-se com a violência em seu sentido mais direto. É revoltante. A idéia de escolas convertidas no mais absoluto caos saiu das telas de cinema e TV há tempos, para ser a duríssima realidade cotidiana de gente que se esforça por construir os cidadãos deste país.
                                   Até quando teremos de conviver com essa agressividade?

  

Renata Krebsky Darini

Assistente Social

  

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico
ou impresso sem autorização escrita da Batatais Online
1.998©2007 TVbatataisonline: Todos os direitos reservados