A pobreza é até um fator que pode levar à desestruturação familiar, mas não leva diretamente à criminalidade se não levar antes às drogas. As drogas sim é que levam à criminalidade, visto que uma pessoa pobre só se tornará criminosa caso se torne antes uma viciada e não tenha renda para sustentar esse vício. A pobreza, na verdade, é um fator que pode levar às drogas, e, apenas indiretamente, pode levar ao crime pelo fato de poder levar antes às drogas.
O crime organizado, hoje, é praticamente formado por viciados em drogas que cometeram inicialmente outros crimes para manter o próprio vício, evoluindo posteriormente para crimes mais graves. Ninguém nasce bandido, mas sim vira bandido depois de ter se viciado antes nas drogas e, por conseqüência, não conseguir, por si só (ou através de seus pais), sustentar esse vício. Dessa forma, a droga é o outro fator direto da criminalidade. Porque hoje em dia até integrantes das classes média e alta têm furtado, roubado ou traficado? Porque algumas pessoas que são de origem, em tese, de uma família estruturada entram no crime? Porque algumas moças, mesmo provenientes de famílias abastadas, se sujeitam a “vender o próprio corpo”? A resposta está no seguinte: sendo um drogado e não sustentando esse vício, o caminho será o tráfico, o roubo, o furto e outros delitos; e se for mulher viciada, também sem renda para se manter no vício, a escolha poderá ser, ao invés do crime, a prostituição, “vendendo o próprio corpo” para traficantes-usuários em troca de meia dúzia de papelotes de pó, pedras de crack ou cápsulas de êxtase.
Assim, pobreza não é sinônimo de crime, até porque a grande maioria das pessoas mais pobres é digna e trabalhadora, ao contrário de alguns ricos, que pelo fato de serem viciados, se envolveram com a criminalidade quando não tiveram sustento para o seu vício. E hoje, ainda, em termos de porcentagem, é muito preocupante a quantidade de adolescentes e adultos ricos ou de classe média, usuários de droga, sustentando toda essa rede criminosa que, durante a sua balada noturna, sequer se atentam que estão sustentando indiretamente todo um sistema que poderá assaltar sua casa no dia seguinte.
Então o problema não está em quem é pobre ou rico, e sim está justamente em quem é usuário ou não de drogas e não consegue, por si só ou através de familiares, sustentar esse vício. É evidente que uma pessoa mais pobre, ao entrar nas drogas e não ter recurso para sustentar o vício, poderá mais facilmente ingressar no crime, diferentemente do mais rico que só se tornará traficante-usuário ou ladrão caso o pai não o sustente ou não tenha emprego e renda para se manter no vício. Agora, não nos esqueçamos que, mesmo que o rico sustente o vício, estará colaborando indiretamente com o crime, seja este usuário de qualquer tipo de droga, até mesmo da maconha, cuja venda é responsável pela aquisição de grandes quantias em dinheiro para o crime organizado, dinheiro este utilizado na compra de mais armas e drogas.
Por isso, pais e mães de classe média e alta, não pensem que seu filho está protegido das drogas, ou ainda, que se ele for viciado, a droga só faz mal a ele e a mais ninguém, pois, como dito, indiretamente, ele é também um alimentante de um sistema que fica fortalecido com a ajuda financeira dos mais ricos e abastados, sem contar que esses mais ricos serão as principais vítimas de crimes cometidos pelos drogados mais pobres e que não conseguem, por si só, sustentar o próprio vício.
Assim, ninguém usando droga (pobre ou rico) o sistema ficará enfraquecido e a criminalidade chegará a patamares muito baixos, o que colaborará com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Lembre-se: nossos pais, avôs e bisavôs não usaram drogas e forma muito felizes, razão pela qual droga não é sinônimo de felicidade e sim de desgraça e, muitas vezes, de tragédia.