Na ultima ceia, Jesus diz: “Fazei isto em memória de mim”. Com estas palavras confere aos discípulos o poder de fazer o que ele havia feito, ou seja, tornar presente o sacrifício da cruz. São Paulo ensina: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do senhor até que ele venha” (1 Cor 11,26). A missa atualiza o sacrifício da cruz. Não importa que o celebrante seja papa bispo ou simples sacerdote. Que seja santo ou pecador. Chato ou agradável. É sempre o sacrifício da cruz que se torna presente por meio dos sinais do pão e do vinho, consagrados por ele. A missa é real e verdadeiro sacrifício, essencialmente idêntico aquele da cruz. Pois Jesus deu a possibilidade de atualizar o sacrifício da cruz por intermédio da repetição da ultima ceia. E ordenou a seus discípulos que a repetissem em sua memória. Os discípulos obedeceram. Na ceia, portanto, se oferece a mesma e única vitima da cruz, Jesus Cristo. Quando ele diz: “Isto é o meu corpo”, fala de sua pessoa, em figura corpórea e humana. Quando diz: “Este é o meu sangue”, fala de seu sangue, unido ao corpo, que está em situação de ser derramado. Dessa maneira, a última ceia não só representa o sacrifício da cruz, mas o atualiza, antecipadamente. Jesus, na sua entrega, une intimamente os homens a si, para serem entregues por ele, com ele e nele ao pai. Os que comem a sua carne e bebem o seu sangue tornam-se um só com ele. Pois diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jô 6,56) e “Quem me tomar como alimento viverá por mim” (Jô 6,57). O Vaticano II diz “que a hóstia imaculada, oferecida não só pelas mãos dos sacerdotes, mas também pelos fiéis, representa o oferecimento cotidiano de si mesmos até que se consuma, pela meditação de Cristo, a unidade com Deus e entre si, e Deus venha, enfim, a ser tudo em todos” (Sacrosanctum concilium). A missa, portanto, é a repetição da ultima ceia. Por isso, para a sua celebração, existe uma mesa com toalha, pão e vinho, para serem consagrados. E quando consagrados, Jesus se torna presente. São Paulo, quando escreve aos coríntios, pergunta: “O cálice da benção que nós abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? (1Cor 10,16). O pão e o vinho consagrados não são apenas um sinal, mas contém, real e verdadeiramente, o corpo e o sangue de Jesus, graças à transubstanciação. Sabemos que cada coisa existe com sua substancia. A substância não se vê. Mas é aquilo que faz com que o ferro seja ferro, e não madeira. A substância da água é aquilo que faz com que a água seja água, e não pedra. A substância do pão é aquilo que faz com que o pão seja pão, e não polenta. A substância do vinho é aquilo que faz com que o vinho seja vinho, e não cerveja. Quando se consagram o pão e o vinho, acontece transubstanciação. Significa que a substancia do pão cai fora, e entra no lugar dela o Corpo de Cristo; a do vinho cai fora, e entra no lugar dela o Sangue de Cristo. As aparências do pão e do vinho, ou seja, aquilo que é percebido pelos sentidos, como cor, cheiro, sabor... permanecem, somente que, sustentados, agora, não mais pela substancia de pão e de vinho que existia antes da consagração, mas pelo Corpo e Sangue de Cristo, tornados presentes depois da consagração. Portanto, Cristo, depois da consagração, se encontra ali na figura de pão e de vinho. Também as espécies de pão e de vinho estão aí não mais para garantir a presença do pão e do vinho, mas sim a presença do Corpo e Sangue de Cristo. Se a hóstia é partida ou o vinho consagrado dividido, Cristo está presente inteiro, em cada parte ou em cada gota. Quando alguém parte um pão, cada pedaço é pão, com a mesma substancia de quando era inteiro. O mesmo acontece quando se divide o vinho. Assim também, depois da consagração, ao dividir-se as sagradas espécies, Jesus está inteiro com corpo, sangue, alma e divindade, em cada partícula, e em cada gota. É como num espelho. Nele se reflete o rosto inteiro de quem se espelha. Se partirmos o espelho, o rosto continua aparecendo inteiro em cada parte do espelho. Assim, em cada parte da hóstia ou gota de vinho. Cristo está presente, todo inteiro, sob as espécies de pão como sob as espécies de vinho. Por isso, quem comunga sob uma espécie somente recebe Jesus vivo e inteiro. No sacramento, o corpo e o sangue estão separados entre si, mas, pela união natural, o sangue está no corpo e o corpo é tomado pelo sangue. É que a eucaristia representa a morte de Cristo. Mas a separação se realiza somente no âmbito sacramental. Na eucaristia, Jesus permanece presente até que as espécies de pão e vinho se decompõem.