Inúmeras vezes e com grande naturalidade João XXIII recomenda a invocação aos anjos: “Nunca deve se descuidar a especial devoção ao anjo da guarda, que está ao lado de cada um de nós” (discurso de 26/10/1962).
“O Anjo da guarda é o bom conselheiro, intercede junto de Deus a nosso favor: ajuda-nos nas nossas necessidades: defende-nos dos perigos e dos acidentes. O Papa gostaria que os fiéis sentissem toda a grandeza desta existência dos anjos” (discurso de 26/10/1962).
O Papa deseja que aumente a devoção aos anjos da guarda. “Cada um de nós tem o seu e cada um de nós pode conversar com os anjos dos outros” (discurso 09/11/1962).
A irmã Ângela Roncalli recebeu do seu tio João XXIII, quando ainda era bispo, a seguinte carta carregada de humanismo:
“ ...O teu nome de religião, que recorda o teu tio, bisavô e o teu irmão dos quais estes dois últimos já gozam da companhia visível dos anjos, deve ser para ti um estímulo para manter uma intimidade familiar com o teu anjo da guarda e também com os anjos da guarda das outras pessoas que conhecem e amas, na Santa Igreja da tua Congregação”...
É um consolo sentir perto de nós este custódio celestial, este guia de nossos passos, esta testemunha de nossos atos mais íntimos. Eu mesmo recito a oração “Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador” pelo menos cinco vezes por dia e com freqüência converso espiritualmente com ele, sempre com sossego e paz.
Quando tenho de visitar algum personagem importante para tratar de assunto da Santa Sé, peço ao meu Anjo da Guarda que se ponha de acordo com o do alto personagem, para que influa na sua disposição de ânimo. É uma devoção que nos recomendava muitas vezes o Santo Padre Pio XI e que me é muito fecunda” (carta de 03/10/1948).
Outro fato pouco conhecido, que teve uma influência incalculável no destino da igreja: numa confidência a um bispo canadense João XXIII atribuiu a uma inspiração do seu anjo da guarda a idéia de convocar o Concílio Vaticano II. (ver G. Galanche, obra citada, PP 49s).
A realidade dos anjos é clara, é sensível e só mesmo corações embrutecidos podem negá-la. Além disso, as Sagradas Escrituras nos trazem centenas de passagens dando conta de sua ação entre os homens – bem ou mal- motivo pelo qual a Igreja proferiu Doutrina sobre eles, são, pois matéria de fé.
Façamos então bom uso dos nossos anjos, invocando-os no momento das tentações, porque eles são guardas eficientes que assistem diante do Altíssimo. E nós, somando a nossa vontade e nosso amor a Deus, unido ao amor e a eficiência dos anjos, poderemos sem dúvida vencer todas as batalhas.
Não temamos nada: junto de Deus, ligados Nele, somos mais fortes do que todos os poderes infernais!
Com carinho, ternura e minha benção sobre você e sua família!
Padre Nelci Souza – Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia – Batatais – SP.