Colunistas

Missa Negra: Eis a afronta suprema.

27/08/2010

Padre Nelci Souza

Pároco Paróquia Santa Rita de Cássia de Batatais - SP

Algumas pessoas já me perguntaram a respeito de tal “missa negra” que ouviram falar,e gostariam de uma resposta para um maior conhecimento.Por isso, diante de um texto de aula que tive quando fiz o curso de AntropologiaTeológica, texto este do  querido padre Estevam Tavares Bittencourt O.S.B, queropassar estas informações a vocês queridos leitores e tirar estas duvidas.A missa negra vem a ser uma paródia do rito da Missa católica, paródia inspiradapelo desejo de achincalhe e sátira.O rito é presidido por um “celebrante”, acompanhado de diácono e subdiácono. Sãoutilizados  as  alfaias  e os instrumentos correspondentes: velas, o símbolo do bodedentro da estrela de cinco pontas, um cálice cheio de vinho ou licor, uma espada, umaspersório ou híssope para aspergir água benta, um crucifixo de cabeça para baixo e,se possível, uma hóstia autenticamente consagrada numa Igreja Católica.O altar da missa negra é uma mulher desnuda. Os participantes vestem trajes pretoscom capuzes. O rito segue aproximadamente o curso da Missa  Católica, com partesrecitadas em latim, em francês ou inglês. Em vez do nome  de Deus, é invocado o nomede Satanás, como também o de diversos demônios. O Pai nosso é recitado com inversãodo respectivo sentido ( assim “Pai nosso que estais no inferno...”). São proferidasblasfêmias contra Jesus Cristo; a hóstia é profanada de diversas maneiras,utilizadas em práticas sexuais e verberada com ódio.A missa do Diabo a partir do século XVI é exatamente a contra-parte do Ofíciocatólico. É a paródia do que Jesus fez na última ceia. O que é abençoado torna-seamaldiçoado; o que é branco torna-se preto... Por ocasião da elevação da hóstia e docálice, os sacerdotes – magos exclamam: “Corvo preto! Corvo preto!” para invocar oMaligno. E estes clamores são acompanhados por contorções e saltos. O Demônio,dizem, voa no momento da consagração em torno do cálice. Quando a assembléia vê essaborboleta, levanta-se e conjura: “ Beelzebu! Beelzebu!” Não há ato penitencial nemaleluia. Evitam-se os sinos  e as sinetas, pois causam horrenda dor ao demônio.Como o cálice, também a hóstia é preta e, mais, difícil de ser engolida; traz afigura do Demônio, que diz por ocasião da consagração: “Isto é o meu corpo”. Elelevanta a hóstia acima de seus chifres; neste momento toda a assembléia a adora.Cercando o altar em semicírculo, prosta-se por terra, o Demônio faz então um sermãoe intimida-os a comungar, dando a cada qual um pedacinho da hóstia, afim de quepossam engolir; entrega a cada qual, dois goles de um remédio infernal, e uma bebidade tão mau gosto e odor que, ao engolirem-na suam e,ao menos tempo, ficam gelados emseus corpos, e seus nervos e em suas medulas.Era “costume” roubar o pão eucarístico das capelas católicas a fim de profaná-lO noculto satânico. Satanás, dizem, divertia-se atirando as hóstias aos sapos. Estendiasua sanha aos presbíteros da Igreja, fazendo que estes apresentassem as hóstias aoMaligno.As profanações do Santíssimo Sacramento eram freqüentes no fim da Idade Média e nosdois séculos seguintes: as hóstias eram pisoteadas, conculcadas, transpassadas...;podiam ser torradas no forno.Entre outros traços, ainda se narra que o Diabo, por meio de seu representanteexortava os seus seguidores a praticar o estupro, o incesto e a sodomia. Ospresentes respondiam em uníssono e tão forte quanto possível: “ Mestre, ajuda-nos!”O Maligno então se apresentava por aspergi-los com a sua urina como se fosse águabenta. O oficiante revestia uma capa preta sem cruz; tomava em mãos o livro dasblasfêmias, continha as mais abjetas blasfêmias contra a Santíssima Trindade, o SS.Sacramento do altar, os outros sacramentos e ritos da Igreja Católica; estavaredigido em língua que o povo ignorava. O sinal da cruz era  feito obrigatoriamentecom a mão esquerda.São estes alguns traços típicos dos cultos satânicos, que culminam na chamada “missanegra” paródia sacrílega a Santa Missa. A existência desse ritual em nossos diassignifica a capitulação da razão e da sanidade mental diante da imaginação e dosimpulsos desregrados da carne. Também a mítica precisa dos subsídios da razão. Odemônio existe, mas não pode ser concebido como se fosse um deus poderoso, ao qualse deva prestar culto.Certamente você amigo leitor ficou chocado sabendo destas coisas e muito triste comtais profanações. Mas devemos dizer que Deus tem poder e pode com toda certezapermanecer, sem, no entanto, ficar ali.Quero dizer, mesmo que eles levem as Hóstias consagradas para a profanação, os anjosas substituem sem que eles percebam, por partículas não consagradas, guardando asoriginais nos sacrários próximos, ou no Céu!No entanto, para o profanador e blasfemador, o efeito é exatamente igual. Ou seja:mesmo que Jesus não esteja presente naquelas partículas, para Deus é como se aliestivesse e até mesmo os espíritos imundos são enganados desta forma. O desejo realde profanar é o que conta, e o castigo de quem fizer isso é igual. Saber disso, de certa forma nos alivia! Aliás, exatamente assim acontece quando umaespécie consagrada cai no chão e não é percebida. Se a pessoa vir a juntá-la com carinho, Jesus permanece ali. Mas se ninguém O ver, Jesus não fica ali para serpisoteado. São  mistérios extraordinários deste Deus Todo Poderoso.Com  carinho, ternura e minha benção sobre você e sua família!         Padre Nelci Souza – Pároco da Paróquia  Santa Rita de Cássia – Batatais –SP. 

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