A Justiça de Brodowski condenou na segunda-feira, 19 de abril, quatro integrantes de uma quadrilha de sequestradores desmantelada pela Operação Oeste da Polícia Federal. O bando, acusado de praticar crimes em Ribeirão Preto e na região, foi condenado por formação de quadrilha armada, extorsão mediante sequestro e corrupção ativa. As penas variam de 21 anos e quatro meses a 27 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado. A pena maior foi para o líder do grupo, José Pins, sentenciado também por corrupção ativa. Os demais – Arineu Zocante, Marcelo Américo Cavalcanti e Carlos Alberto Silva – foram sentenciados a 21 anos e quatro meses. Os mentores do grupo seriam Pins e Zocante, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual (MPE) em Brodowski. A quadrilha teve sua atuação interrompida no dia 19 abril de 2007, quando membros do grupo foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Oeste, que no total prendeu 30 pessoas, inclusive dois policiais federais, um delegado de polícia, um policial rodoviário federal, um ex-policial militar e dois advogados. Os policiais federais não participavam da articulação dos sequestros, mas da contabilidade do grupo, que era feita em Marília. A Polícia Federal estima que o bando, que tinha ramificações e componentes em Ribeirão Preto, tenha praticado 19 sequestros e faturado R$ 600 mil com os golpes, com atuação em quatro estados – São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais. De acordo com o serviço de inteligência da Polícia Federal, apenas na região de Ribeirão Preto a quadrilha teria praticado sete sequestros e movimentado R$ 280 mil. O grupo também é acusado de incendiar o jornal Diário de Marília, em 2005, e de tentar assassinar um jornalista da cidade. Os criminosos, segundo a PF, eram especialistas em praticar o conhecido golpe do caminhão agrícola e da compra de dólares três por um (três dólares falsos por um verdadeiro), quando atraíam pessoas interessadas em comprar veículos – de alto valor no mercado, geralmente através de anúncios em jornais – para uma cilada. No golpe dos dólares, eles procuraram doleiros geralmente em dificuldades financeiras e depois promoviam um achaque, com a simulação de um flagrante policial para roubar dinheiro das vítimas.Segundo as investigações, feitas através de escutas telefônicas, eles ofereciam preços bem abaixo dos de mercado e, assim, conseguiam atrair o interesse das pessoas. Depois de dominadas, as vítimas eram algemadas, encapuzadas, torturadas e levadas para o cativeiro e só eram libertadas quando pagavam o resgate. O pagamento ocorria quando o comprador, sob domínio dos bandidos, simulava para um parente ou sócio estar tudo bem e pedia o depósito de dinheiro numa conta corrente para levar o caminhão. A condenação da Justiça de Brodowski foi referente a um caso ocorrido em 26 de abril de 2007, quando membros do grupo em Ribeirão Preto sequestraram um empresário e seu filho de Guarulhos, em frente ao Makro da avenida Castelo Branco, depois de atraí-los com o golpe do caminhão. Pai e filho, que não tiveram os nomes divulgados pelo promotor de Brodowski, Leonardo Leonel Romanelli, foram levados para um cativeiro em Brodowski, que ficava na casa da mulher de Pins, Elizângela Amorin.O cativeiro foi descoberto pela polícia, que prendeu membros do bando e libertou ainda dois sócios em Rincão. Pins teria ainda tentado subornar um policial, e por isso sua condenação foi aumentada em seis anos, além dos 21 anos por formação de quadrilha armada e extorsão mediante sequestro.Recurso – O representante do Ministério Público Estadual (MPE) em Brodowski, Leonardo Leonel Romanelli, disse ao editor do A Noticia na noite desta sexta-feira, 23 de abril, que vai recorrer da decisão, embora tenha considerado a sentença corajosa e dura. "Os antecedentes criminais dos quatro são péssimos, tanto que eles chegaram a estar presos no presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná (Zocante, Carlos Alberto e Pins). Pins, por exemplo, além de ser um elemento muito perigoso, tem antecedentes criminais desde 1970”, revelou.O promotor disse que, durante as investigações, apurou que a quadrilha agiu em Serrana, Ribeirão Preto e Brodowski e que tramava um sequestro em Jardinópolis. Na sentença, a Justiça citou que as transcrições das ligações telefônicas entre membros do bando tinham mais de mil páginas. Num outro trecho, a magistrada apontou que Pins e Zocante pertenciam ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e que preparavam o batismo (ingresso) de Carlos Alberto da Silva na facção. Segundo a polícia, o esquema era composto por três partes que se comunicavam por meio de chefes. Os líderes seriam José Pins e Arineu Zocante. Este último era o responsável por abrir contas em nome de “laranjas”. O terceiro grupo era responsável por achar as vítimas e dar andamento aos golpes. De cada vítima, o grupo conseguia extorquir de R$ 50 a 300 mil. A Operação Oeste ganhou este nome porque aconteceu em municípios que ficavam nessa região do estado. A prisão dos sequestradores A rápida ação policial livrou do cativeiro pai e filho que caíram no golpe da compra de um guincho e à prisão de três sequestradores. Policiais militares chegaram ao local do cativeiro depois de receber uma denúncia anônima sobre uma movimentação suspeita, no bairro Nossa Senhora, em Brodowski.. Lá, três integrantes do bando foram presos em flagrante com um revólver calibre 38 e R$ 1.184 em dinheiro. Pai e filho, empresários de Guarulhos, colocaram um anúncio num jornal de São Paulo com o interesse de comprar um guincho. Após contatos de um possível vendedor de Ribeirão Preto, eles foram à cidade para comprar o caminhão. O encontro foi marcado na entrada de Ribeirão Preto, em um estabelecimento comercial. O suposto vendedor entrou no carro do empresário e indicou o caminho onde estaria o guincho. Já na zona rural do município, os condutores de um veículo Astra abordaram o carro do comprador e anunciaram um assalto. Eram todos comparsas.Os três pediram o dinheiro da compra do guincho, num total de R$ 30 mil, mas como os empresários só tinham R$ 1,1 mil, eles foram levados para o cativeiro. Os sequestradores queriam o restante do dinheiro, mas antes que os reféns fizessem contato com familiares, os policiais chegaram ao local. Na delegacia de Brodowski, os três indivíduos foram autuados em flagrante por extorsão mediante sequestro.