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BRODOWSKI! Justiça condena bando a 135 anos de prisão

Quadrilha seria comandada por mãe e filha:: elas são acusadas de articular ações criminosas como tráfico e até homicídios

02/07/2010

A Justiça de Brodowski condenou 12 pessoas acusadas de participar do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua nos presídios paulistas. Somadas, as penas passam de 135 anos de reclusão. A sentença foi publicada na quarta-feira, 16 de junho, pela juíza substituta Paula Aguiar Pizzeta. A quadrilha, presa desde o segundo semestre de 2008, seria comandada por mãe e filha, que foram condenadas a cumprir as penas mais altas: 31 anos e seis meses e 24 anos e sete meses de reclusão, respectivamente. A sentença também determina o seqüestro dos bens de todos os acusados.As investigações foram reforçadas com a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos. São mais de 500 páginas de transcrições. Nas conversas, os acusados tramavam compra de drogas, esquemas de tráfico, punições a desafetos e até homicídios, incluindo o assassinato de um rival e de dois policiais militares. Oito réus foram condenados por formação de quadrilha armada, associação para o tráfico de drogas e tráfico. Três se livraram da condenação por formação de quadrilha. Apenas um, sentenciado a uma pena inferior a quatro anos de reclusão, poderá iniciar o cumprimento da pena no regime semi-aberro. Os demais não poderão recorrer em liberdade.Foram condenados Luciana Aparecida da Silva Sarris (de 39 anos, a Tia Duda, a 31 anos e seis meses de reclusão), Ro­berta da Silva Sarris (a Cunhada, a 24 anos e sete meses de reclusão), Halley Vital de Oliveira (a dez anos e 11 meses de reclusão), Leandro José da Silva Neto (a 16 anos e quatro meses de reclusão), Denílson Cássio Cardoso da Silva (a 16 anos e quatro meses de reclusão), Kleber da Silva Leal (a oito anos e seis meses de reclusão), Fabrício da Silva (a oito anos e quatro meses de reclusão), Bruno Dantas (a cinco anos e nove meses de reclusão), Marcos Roberto Ribeiro (a três anos e nove meses de reclusão), Cristiano Donizeti Sudário (a quatro anos e oito meses de reclusão), Aline Cristina Balbino Malaguti (a três anos e nove meses de reclusão) e Júlio César do Prado Bueno, cuja condenação, não informada integralmente na sentença, foi inferior a quanto anos por sua participação “ter sido menor”. Não foram sentenciados por formação de quadrilha Halley Oliveira, Kleber Leal e Marcos Roberto Ribeiro.No segundo semestre do ano passado, todos os acusados foram interrogados em uma audiência na Câmara de Brodowski, já que o prédio do Fórum de Justiça da cidade não conta com estrutura suficiente para receber eventos de grande porte. Todo o prédio foi cercado e, sob forte esquema de segurança, os réus prestaram depoimento. Eles negaram as acusações. Até a circulação de pedestres nas cercanias do Legislativo foi proibida pelos mais de 40 policiais que participaram dos trabalhos. Os presos depuseram até com correntes colocadas nos calcanhares. As testemunhas de acusação receberam proteção especial. Broncas, ameaças e até articulação de assassinato  A denúncia contra o bando foi oferecida pelo promotor Leonardo Leonel Romanelli, que chegou a elaborar um organo­grama de funções da quadrilha, especificando posições hierárquicas que cada um desempenhava no grupo, dividido entre líderes, disciplinas e pilotos. O promotor disse não ter dúvidas de que o bando era de alta periculosidade. O organograma foi anexado à peça da denúncia. O inquérito, concluído pela Promotoria, apontou que Luciana e Roberta seriam as líderes e Leandro, Halley e Denílson os “disciplinas”. Luciana, presa na cadeia feminina de Altinópolis, teria sido flagrada organizando o tráfico na cidade e até repreendendo um membro pelo fato de ter perdido uma quantidade de drogas numa batida policial. “Por que não engoliu, pô?”, disse ela na gravação.Num outro trecho, ela chama a atenção de um “disciplina” para que não venda droga a um viciado que quer dar uma bicicleta como pagamento. “Vou dar uma porrada nele”. Em outro trecho, Luciana, de dentro da cadeia feminina de Altinó­polis, pergunta como vai a venda de drogas no município e é informada que a situação está ruim. Do outro lado da linha, o comparsa promete que a situação vai melhorar.Até uma conferência telefônica com lideranças da facção teria sido interceptada pela polícia. Um membro conhecido como Nego Aço chega a fazer críticas sobre a atuação dos “disciplinas” em Brodowski, afirmando: “A cidade tá abandonada, vocês não estão na disciplina do barato”(sic). Até uma comemoração de Roberta, que teria comprado um aparelho de TV de alta tecnologia com a venda de drogas, foi gravada. Alguns dizem que ela está “bem na fita” porque o mercado anda ruim.Assassinato de taxista – O grupo, segundo a Promotoria, também estudava matar um taxista da cidade que teria ido até Serrana levar um comparsa . No trajeto o automóvel teria sido interceptado pela polícia.. Os acusados desconfiavam que o taxista tivesse passado informações para a polícia. Os criminosos ainda não sabiam que a desconfiança não tinha fundamento porque a batida policial foi feita graças a uma interceptação telefônica.Nesse diálogo, Roberta relata que teria R$ 500 para comprar a arma e sua mãe Luciana teria dado o aval para a execução do assassinato. Em outra conversa, dois membros tramam matar um desafeto que teria assassinado um aliado do bando. Eles pedem para os subordinados pegarem o desafeto e darem “bicuda na cara dele”.O grupo também pretendia o assassinato de dois policiais militares de Brodowski como maneira de ganharem respeito e ascender na hierarquia da facção. Os policiais seriam alvos fáceis porque supostamente circulariam com pouco armamento na viatura.. Numa outra conversa, alguns envolvidos manifestam o desejo de visitar a Festa do Leite de Batatais, mas reclamam de falta de dinheiro.Acusados negaram os crimes – Os advogados dos 12 réus negam as acusações. Na sentença, obtida com exclusividade pelo JORNAL A NOTICIA DE BATATAIS, os defensores dizem que as gravações carecem de credibilidade e que os acusados são inocentes. Alguns se manifestaram como dependentes químicos. A partir do momento da notificação da sentença, todos deverão recorrer da condenação.Em 2009, em audiência na Câmara de Brodowski, todos os acusados negaram participação no esquema

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