Beto Tofeti e eu estivemos presentes na sessão da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, seguindo a votação do Relatório Aldo Rebelo, que dispõe sobre mudanças no Código Florestal.
Minha consciência individual e minha condição de Presidente do Sindicato Rural de Batatais não permitem que fique ausente desse importante debate para a sociedade em geral e particularmente para a classe que represento.
Adeptos de movimentos ambientalistas, infelizmente, consideram os produtores rurais como inimigos da Natureza, obstinados em destruí-la, porquanto movidos pelo lucro desmedido, que nada respeita.
Não ignoro que do lado ruralista também se postam radicais, mas dessa banda todos são absolutamente cientes que a não preservação do meio ambiente traz consequências nefastas às atividades agropecuárias.
Evidente, todo produtor rural, conhecedor por força de sua profissão da resposta infalível da Natureza quando indiscriminadamente agredida, não pode olvidar das catástrofes que o desmatamento sem limites traz tanto à pecuária como à agricultura.
Meu temperamento refuta posições radicais, de um lado ou do outro. Penso, e penso convictamente, que o diálogo é sempre eficaz.
Falta diálogo, como com ponderação nos confidenciou o Deputado Aldo Rebelo ao nos receber, Beto Tofeti e eu, em seu Gabinete no Congresso Nacional.
Falta diálogo embora a posição moderada do Relator, aberto às críticas e sempre disposto no aperfeiçoamento de seu relatório. Homem de ideal definido, movido por adentrado espírito de patriotismo, infenso às posições radicais, ouve com paciência de Jó as ofensas que gratuitamente lhe são assacadas.
Não se porta como único defensor da verdade. Vendo sua posição no andamento dos debates, lembrei-me de um texto que pode ser resumido nestas poucas palavras: existe curso de oratória, deveria existir curso de “escutatória”. Aldo Rebelo é exímio ouvinte.
Porém, quero deixar minha mensagem central, motivo destas linhas, os produtores rurais não podem ser acusados dessa forma simplória e insensata. Alguém já nos chamou de “bandidos”, outros de “retrógados”, a nossa resposta é bem direta, oferecendo a eles o arroz e feijão de cada dia, o leite de seus filhos, a carne de seu churrasco domingueiro, o combustível mais limpo que move os seus veículos, as nossas mãos sujas de terra no plantio de árvores nas áreas que estamos reflorestando.
E, sobretudo, oferecemos a eles o diálogo que constrói.
Para exemplificar a necessidade do diálogo, trago à consideração o sensível testemunho de um Deputado Federal do Rio Grande do Sul, que narrou a situação de seu próprio pai. Homem de oitenta e oito anos de idade, proprietário de dezessete hectares de terra, cortado por um córrego. Durante toda sua vida afanosa no lido da terra, sustentou e educou os seus filhos, tornando-os honestos e úteis à sociedade. Caso prevaleça o Código Florestal, sem as mudanças propostas, a sua propriedade ficará de tal maneira reduzida que não será possível tirar o seu exclusivo sustento. Quantos não se encontram nesse crucial dilema? Aqui mesmo em nosso Município é possível levantar situações similares.
É preciso dialogar. É possível o desenvolvimento sustentável. Basta eleger o bom senso. Para nós, produtores rurais, preservar é preciso, mas sem dogmas, nem fanatismos, com a ciência e a sensatez da inteligência de da razão, como bem recomendou o jornalista Alexandre Garcia.
Caro leitor, os produtores rurais não é bandido, nem retrógado. Fazendeiro é esse homem ou mulher que você encontra no dia-a-dia, um ou outro da sua roda de amigos. Não se deixe influenciar pelos radicais de plantão. Analise o fazendeiro que você conhece, tire a sua conclusão.
André Scavazza Bianco
Presidente do Sindicato Rural de Batatais