André Scavazza Bianco – Presidente do Sindicato Rural de Batatais.Rodrigo Marcello B. V. Benedini – Gestor e Advogado do Sindicato. O setor rural do Brasil (agricultura e pecuária) ocupa posição destacada em vários setores da economia. Estamos entre os maiores produtores e exportadores de suco de laranja, etanol, açúcar, carnes, complexo da soja, café. Em outros segmentos, como o algodão, a fruticultura, tabaco, entre outros, também estamos em franca ascensão, conquistando importantes mercados e incomodando tradicionais produtores. As conquistas destas relevantes posições se dão graças a incorporação de novas tecnologias, aprimoramento genético, pesquisas desenvolvidas pela EMBRAPA, IAC, e outros importantes institutos de pesquisas do País. Exemplificando, atualmente no oeste baiano, a produção média de algodão e soja é superior aquela obtida pelos norte-americanos, ou seja, enquanto um produtor brasileiro, sem subsídios agrícolas, com uma infra estrutura lastimável, produz 52 sacas de soja e 270 arrobas de algodão, o rico produtor norte-americano, que conta com uma gama enorme de subsídios governamentais, produz 48,5 sacas de soja e 160 arrobas de algodão. Aqui começa o problema, pois os produtores do norte do continente, já desenvolvidos, começam a perceber uma ameaça no nosso setor agrícola e pecuário, pois, apesar de todos os benefícios concedidos, não estão conseguindo acompanhar seu irmão pobre do sul do continente. No que tange aos europeus, a situação é bem pior, pois sem amplos subsídios no setor agrícola, estariam aniquilados. Como nossos concorrentes não conseguem competir conosco, tentando impedir nosso progresso, começam a criar, através de ONGs internacionais, a figura falsa do desmatador, do escravocrata, etc, que não corresponde a realidade brasileira. Importante destacar que mais de 90% das propriedades rurais do Brasil são formadas por pequenos agricultores e agricultores familiares. Estes dados, as ONGs comprometidas com o seu financiador, ardilosamente ‘esquecem’. Não somos contra as ONGs internacionais, mas não concordamos com a sua forma de atuação no que se refere ao meio ambiente. Recentemente saiu em dois grandes jornais de circulação que o cenário perfeito para americanos e europeus seria preservar a floresta aqui, para beneficiar as fazendas de lá.O estudo intitulado ‘Farms Here, Forests There’, afirma que os agricultores dos EUA podem ganhar até US$ 270 bilhões de dólares até 2030, pois a maior proteção às florestas prejudicará a produção de carne, soja, algodão e dendê em países como o Brasil. Em síntese, o estudo prevê que os norte-americanos pagariam para manter a floresta em pé no País, e poderiam abater o carbono que seria emitido pelo desmate das próprias terras.Concluindo, a redução ou eliminação do desmatamento nos países tropicais elevaria a renda do produtor nos EUA.Cabe ressaltar que não somos favoráveis ao desmatamento sem critérios bem discutidos e definidos, pelo contrário, apoiamos uma moratória ampla até que seja elaborado o zoneamento ecológico econômico em todo o País, e assim, seja conhecida a real situação de todo o setor. Não podemos deixar de mencionar que em 1950, a Europa tinha 0,9% das florestas primárias do planeta, enquanto o Brasil tinha 18,4%. Nos dias de hoje, a Europa tem 0,1%, e o Brasil tem 28,3%. Sendo assim, a Europa reduziu nove vezes sua participação, e o Brasil aumentou a sua em praticamente 50%! Olha a incongruência e discrepância, as ONGs internacionais não tomam conta da floresta do seu País, mas tentam impedir o progresso no Brasil. Será que existem interesses escusos ocultos nesta atuação? Difícil responder, ou não? Salutar a lição do deputado Aldo Rebelo, publicada na Folha de São Paulo, no dia 5 de junho de 2010, que mostra todo o patriotismo e amor pelo Pais, ao discorrer sobre o tema: “Países e até continentes inteiros parecem estar condenados a se perpetuarem na pobreza, como pensava Malthus (conservador inglês Thomas Robert Malthus 1766-1834) a respeito do miserável em sua época. ‘Não há vaga para ele no lauto banquete da natureza’, sentenciava o autor. O reacionarismo desumano de Malthus foi implacavelmente derrotado, na doutrina e na prática. Mas ressurge, atrasadíssimo no tempo, no confronto da agricultura fortemente subsidiada dos países desenvolvidos com a produção agrícola cada vez mais competitiva de nações como o Brasil.” Não é demais lembrar que o homem de campo é o primeiro defensor da natureza, pois as mudanças climáticas comprometem o seu plano de safra. Também são eles que recebem o dejeto das cidades, pois o esgoto lançado in natura vai direto para os cursos d´agua, que por sua vez, cortam o seu imóvel rural. Apesar dos ataques, o produtor rural lutará até o fim e não irá esmorecer para tornar o Brasil uma potência agrícola e pecuária ainda maior, capaz de prover os demais países com produtos de qualidade e preços acessíveis.