A juíza de Brodowski, Carolina Moreira Gama, condenou o empresário Waldomiro Lanchotti a 12 anos de reclusão, em regime inicial fechado, por estupro de vulnerável supostamente praticado contra uma menina de dez anos de idade em 23 de março do ano passado. Cabe recurso da decisão divulgada ontem, terça-feira, 10 de janeiro. Ele não poderá recorrer em liberdade.O empresário está preso preventivamente desde a data dos fatos e recentemente teve um habeas corpus negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).Segundo a sentença, Lanchotti abordou EGGS a caminho da escola no dia 22 de março do ano passado e puxou conversa, ganhando a confiança da garota e marcando um encontro para o dia seguinte. No primeiro contato ele teria apurado algumas particularidades da menina, como o fato dela ter o sonho de conhecer o pai, que vive no Nordeste. Na tarde do dia 23 de março, ele novamente se aproximou da estudante, dizendo-lhe que conseguiria levá-la até seu pai.. Ela subiu no veículo e ambos foram até uma sorveteria. Depois, o empresário se dirigiu até o Sítio Prata do Retiro, de propriedade da família, na estrada vicinal Miguel Toloi- que liga a cidade a Serrana.Ao chegar no sítio, que estava desabitado, o empresário teria levado a criança para perto de uma granja desativada e dito palavras de baixo calão, pedindo para ela tirar as roupas. A menina ficou assustada, mas diante das ameaças, ela atendeu ao pedido do ancião. A sentença aponta que Lanchotti deitou-se no chão, nu, e praticou várias sevícias na menina, inclusive ejaculando no corpo da vítima.Depois de consumado os abusos, o empresário teria trazido a menina para a cidade por volta das 23h daquele dia e pedido para ela contar a sua família que havia sido seqüestrada, entregando um bilhete para a menina. Ele disse que caso ela relatasse os fatos, ele mataria a irmãzinha dela de três anos de idade.A menina teria sido deixada pelo ancião perto de uma bicicletaria e foi encontrada pela mãe e pelo padrasto, que estavam desesperados com o seu desaparecimento. Ela contou que havia sido seqüestrada por vários homens que estavam em um carro preto, mas um exame clínico realizado no Pronto Socorro apontou que ela sofreu abuso sexual, pois resquícios de esperma foram encontrados no corpo da criança. A menina então contou o que havia acontecido para sua mãe que procurou a polícia na mesma noite para registrar um boletim de ocorrência. O promotor Leonardo Leonel Romanelli pediu a abertura de inquérito policial e no decorrer das investigações, diante das provas e para evitar a fuga ou coação de testemunhas, requereu a prisão preventiva do acusado..Na fase processual, o promotor pediu a procedência da ação, argumentando que a materialidade apurada na denúncia foi suficiente para fundamentar o pedido. O reconhecimento feito pela menina foi outra prova levada em conta pela Justiça.Atualmente, a criança faz tratamento psicológico, porque teve alterações no sono, mania por limpeza, agitação e grave alteração no comportamento. Defesa vai recorrer da decisão: O advogado Heráclito Mossin, que defende o empresário, informou na tarde de ontem que deve protocolar ainda esta semana um recurso no TJ-SP visando a reforma da sentença e a absolvição do cliente.Segundo Mossin, o empresário é inocente e tem várias testemunhas que comprovariam que naquele dia esteve o tempo todo em seu depósito de materiais.“O sítio nem pertence ao meu cliente e sim ao irmão dele. Ele nem tem as chaves da propriedade, como é que ele entraria lá?”, questiona o advogado.O advogado disse ainda que seu cliente é uma pessoa de muita credibilidade e respeito na cidade e que está sendo vítima de uma grande armação com o intuito de prejudicá-lo.