O Fato E A Bíblia

VALE TUDO25/06/2010

Os partidos políticos estão liberados para fazer qualquer tipo de coligação. O fim da regra da verticalização deixa as legendas livres para acordos nas esferas estadual e federal. Isto quer dizer que nas eleições de outubro deste ano veremos as mais absurdas contradições e aberrações ideológicas. Tal legislação visa apenas atender a interesses pessoais de líderes partidários regionais sem nenhum compromisso programático e ideológico. Nossos partidos que já não têm consistência ficam ainda mais fragmentados e vulneráveis. A nova legislação foi aprovada no dia 8 de março de 2006, mas não valeram para as eleições daquele ano. Sem verticalização, os partidos estão liberados para se coligar em nível nacional, por exemplo, com o PT e em nível estadual, com o PSDB, ou vice-versa. Com isso, um determinado partido pode apoiar a candidatura nacional do PT e em nível estadual apoiar um candidato tucano ou do DEM, por exemplo. Ou ainda, o PMDB, que na esfera nacional deverá se coligar com o PT, poderá se coligar nos estados com qualquer partido, mesmo que este esteja apoiando a candidatura do PSDB à Presidência da República.“DILMIN” E “DILMASIA”Não! Não vamos falar de novos medicamentos. “Dilmin” e “Dilmasia” não são nomes de medicamentos. Pode ser que você ainda não saiba, mas o Serra está sendo rejeitado até dentro do tucanato. É que lá nas Minas Gerais só se fala do voto “Dilmasia” e aqui em São Paulo já se fala do voto “Dilmin”. O candidato tucano para o governo de Minas Gerais é o Antonio Anastásia e como ele prefere a Dilma que é apoiada pelo Lula, criou-se o voto “Dilmasia” – Dilma + Anastásia. Do mesmo modo, pelas cidades do interior de São Paulo, políticos do PSDB simpatizantes do Lula/Dilma já falam no voto “Dilmin” – Dilma + Alckmin (Dilma para Presidente e Alckmin para governador). É que o Geraldo Alckmin, como qualquer outro governador de estado poderá se sentir mais confortável com Dilma Rousseff no Planalto do que com Serra. Serra deixou Alckmin na mão em duas candidaturas: para a Prefeitura e para a Presidência. Traiu Roseana Sarney quando ela seria candidata à presidência e agora, mesmo sabendo que o Aécio teria maiores chances que ele para disputar o Palácio do Planalto com Dilma, não abriu mão de sua candidatura.  DESMANCHE DO BRASILAssim que a bola parar de rolar na África do Sul, o Brasil entrará de vez no clima eleitoral. A primeira bomba que cairá no colo do José Serra será o livro: “Os porões da privataria” escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior que já ganhou três prêmios Esso e quatro prêmios Vladimir Herzog. O livro será uma bomba de efeito prolongado sobre o tucanato, pois se trata de uma impressionante coleção de dados e cifras envolvendo a família do candidato Serra seus amigos e assessores de confiança. Fala dos seus laços societários e eleitorais com a família de Daniel Dantas, suas ligações com as privatizações e movimentação bilionária de dólares, dentro e fora do país em paraísos fiscais. O livro, sem dúvida, será um artefato prestes a explodir no colo da coalizão demotucana que quase concluiu o desmanche do Brasil durante os oito anos do governo FHC que nada fez além de privatizar tudo que havíamos construído como patrimônio da Nação.  DOSSIÊ SERRAA turma da imprensa golpista ao perceber que o livro do jornalista Amauri Ribeiro Júnior, “Nos porões da privataria” seria uma bomba sobre a candidatura do Serra, seu protegido, tratou de criar mais um factóide dizendo que os documentos que deram base para o texto do livro era um dossiê dos petistas e da Dilma contra o tucano. O que mais assusta os piratas da privataria é o fato que o jornalista entregará todos os documentos ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro mostrando as ligações entre Serra, FHC e Daniel Dantas. Até hoje as privatizações levadas a efeito durante dos dois mandatos de FHC continuam sendo investigados. O trabalho do jornalista Amauri Jr teve a duração de dez anos de investigação e vai estourar exatamente em cima da candidatura Serra deste ano. As investigações tiveram início quando o autor ainda trabalhava no jornal O Globo e se aprofundou com a reportagem na revista IstoÉ sobre a CPI do Banestado. Portanto, não se trata de um dossiê leviano, mas de documentos oficiais com reconhecimento e fé pública e que poderão ser utilizados em julgamento. Talvez tenha chegado a hora de vermos onde foi parar o dinheiro da privataria do PSDB do FHC, pois agora as relações entre o genro de Serra e o banqueiro Daniel Dantas estão esmiuçadas de forma exaustiva nos documentos a que Amaury teve acesso. O escritório de lavagem de dinheiro Citco Building, nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal, abrigava a conta de todo o alto tucanato que participou da privataria. IRRELEVÂNCIA“Qualquer promessa feita pelo José Serra durante a campanha eleitoral em 2010”. INCOERÊNCIA“Serra lançando sua candidatura à Presidência do Brasil na Bahia, estado com maior percentual de negros no país e no seu palanque não havia um só negro”. CONVENIÊNCIAO FHC viajando para a Europa para não se meter na Bahia quando do lançamento da candidatura Serra à presidência”. PALAVRA FINALO metrô de São Paulo é o único local do mundo em que a lei da gravidade não tem validade. Você pode levantar os pés do chão e "milagrosamente" flutua, espremido entre os outros passageiros. No Japão os trens modernos flutuam por eletromagnetismo; em São Paulo os passageiros se espremem e flutuam na incompetência e irresponsabilidade demotucana.  

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