O Fato E A Bíblia

O passado faz o hoje27/08/2010

Entre 1751 e 1780 o francês Diderot editou uma enciclopédia com 35 volumes. A extensa obra visava cobrir a totalidade do conhecimento daquela época. Era uma sinopse completa da vida. Diderot foi auxiliado por muitos homens, entre eles, John Locke, Voltaire (apelido de François-Marie Arouet), Jean-Jacques Rousseau, Montesquieu e Immanuel Kant. A origem do lema “Liberdade, fraternidade e igualdade” está intimamente ligada a esse trabalho de Diderot e pode-se dizer que dessas palavras vazias e desprovidas de significado concreto é que nasceu a revolução francesa que até hoje afeta o pensamento através do que se convencionou chamar de pós-modernismo.Um dos ícones do pensamento daquela época é Rousseau. Sendo um grande pensador e escritor, esse homem publicou em 1762 um livro onde afirmava que a educação deveria basear-se inteiramente nos instintos naturais, e ser inteiramente livre de todas as influências rivais presentes na sociedade, e especialmente da fé cristã. Sua visão era totalmente racional e visava desacreditar toda revelação divina. Rousseau acreditava numa espécie de religião natural baseada na emoção e na experiência rejeitando toda e qualquer crença numa revelação sobrenatural. Foi daí que nasceu o seu famoso livro intitulado "O Contrato Social" onde ele argumenta que as leis do Estado devem basear-se unicamente na vontade do povo e não em absolutos. Estou recordando tais fatos porque vivemos um momento perigosíssimo, pois esses pensadores não eram ateus. Eles eram deístas¹ e, portanto, tinham um conceito muito otimista da natureza humana. O deísta se recusa levar a sério a revelação cristã, e especialmente quanto à salvação. A base da sociedade - dizem eles - "deve ser que os membros da sociedade concordem num pacto social, não sob Deus, e sim entre os próprios homens". O Contrato Social está sendo colocado em prática no mundo contemporâneo e sedimentando as bases para o governo mundial do Anticristo. A tese é que os homens devem associar-se a fim de promover a liberdade e um governo justo no interesse da maioria. Depois de Rousseau veio Voltaire com a sua tese anti-cristã e anti-dogmática. Por viverem sob a opressão de tiranos franceses da época, esses pensadores ganharam o povo e passaram a exercer forte influência no modo de pensar e agir daquela geração. Os governos dissolutos e tiranos que se escudavam nos papas católicos, também tiranos, fizeram com que o povo associasse o despotismo ao Deus dos cristãos. Assim, o ensino da religião católica que não era o ensino da Bíblia, passou a ser repudiado e a Bíblia, que nada tinha a ver com tudo aquilo, passou a ser questionada e deixada de lado. O trágico resultado foi que o homem, e não Deus passou a ser o centro. A razão ocupou o lugar da revelação e a idéia de povo soberano tomou o lugar de Deus Soberano. Foi dali que veio a Revolução Francesa de 1789 sob o lema “Liberdade, fraternidade e igualdade”. A tudo isso chama de “iluminismo”!Como cristãos sabemos que jamais haverá um Estado justo. Sabemos que o mundo não vai melhorar. Nenhuma reforma será suficiente para implantar o paraíso aqui na terra. Não há como cristianizar a sociedade. Só loucos acreditam em tal possibilidade. O que precisa acontecer é o novo nascimento para cada indivíduo. Isso resulta da pregação do Evangelho e não do estabelecimento de leis. O que precisamos é ouvir a exortação do Senhor que diz: "E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem" (Lucas 21:34-36). (¹Sistema dos que crêem em Deus, mas rejeitam a revelação)PS. Este artigo foi baseado no texto de D.M. Lloyd-Jones: "O cristão e o Estado em épocas revolucionárias". Aqueles que conhecem a Bíblia poderão perceber o quanto os nossos dias se assemelham aos dias de Laodicéia onde o governo é “do povo para o povo”.

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